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BLOG DO DR. GORI

COLUNAS ANTI-SOCIAIS


 
 

LONDON´S BURNING

 

london

 

Não dava pra ser outro título.

O preço do mundo ter se tocado só agora que estamos em uma nova época tem sido alto. E, prestes a comemorarmos dez anos do 11 de setembro,  estamos assistindo ao declínio do ocidente dois lados do Atlântico, num processo que ganhou força a partir da crise econômica de 2008. Esse preço é alto.

Quando eu tinha uns 10 anos de idade, idade do meu filho hoje, as mazelas mundanas mais horripilantes eram a fome na África, a ameaça nuclear, uma crise sócio-econômica na Inglaterra de Miss Tatcher e nos EUA de Reagan. No meio disso tudo ainda havia uma instabilidade bélica provocada pela Guerra Fria e a intolerância étnico-religiosa se espalhava por todo o globo. Pelo jeito o quadro não mudou muito.

Só que antes a percepção que eu tinha era que alguém se importava. Hoje não. A fome na África é apenas uma notícia que não comove ninguém. O resto do mundo parece achar que a ameaça nuclear é problema apenas dos japoneses, e a instabilidade econômica parece ser coisa de outro planeta, pois o consumismo ‘até o talo’ já parece fazer parte do cotidiano das pessoas, e isso parece não importar muito.
“Estamos em crise, então vamos consumir que a crise passa".

E as guerras? Ninguém mais se importa ou sabe explicar como elas começaram ou porque ainda continuam, desde que façam a máquina funcionar. A intolerância agora também é pautada pela mídia, só que de forma canhestra, pois provoca mais intolerância ainda. E daí assistimos todos os dias marchas disso e daquilo por direitos básicos enquanto os movimentos de direita e ultradireita se reorganizam, aproveitando o mesmo mote da liberdade de expressão.

Ah, sim, agora entendi. Francamente, tô vendo muita coisa ir pro buraco e tô descrente.

Qual é o preço disso tudo? Continue aí parado que logo logo você vai saber.

 



Escrito por Hate&Whisky às 18h29
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GERAÇÃO "T"

 

A geração "T" sabe tudo que acontece, mas permanece incapaz de analisar, comparar e julgar
Por Luciano Pires

Meu amigo Patrick é francês e vive no Brasil há anos. Tem uma visão crítica da forma de ser do brasileiro em comparação a outros povos, especialmente os europeus. E eu me divirto com ele. Recentemente, presente a um desses eventos badalados que tratam de redes sociais, ele me ligou para descrever o público. Jovens, muito jovens, com seus iPads e iPhones, tuitando furiosamente enquanto assistiam às palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador dizia:

- Alguma pergunta? Silêncio. Ninguém. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ninguém nunca perguntava nada. O Patrick então disse que aquela era a geração T. Tê de testemunha: “Sou testemunha de tudo, mas não tenho opinião sobre nada.”

É isso mesmo que tenho visto por aí: a geração T dominando os espaços e dedicando-se à única coisa que consegue fazer: contar para os outros o que viu. Ou no máximo, repetir a opinião de terceiros, enquanto permanece incapaz de analisar, comparar, julgar e de emitir opiniões.

Mas sabe o mais louco? A “geração T”, diferente das outras gerações, parece não ter um período definido. Não é composta exclusivamente de gente que nasceu entre o ano x e o ano y... É claro que a quantidade de jovens é muito grande, mas ela generosamente engloba gente nascida desde 1950...

Em minha palestra “Quem não se comunica, se estrumbica” falo de um estudo que mostra que nos 40 mil anos que se passaram desde o momento em que o homem desceu das árvores até inventar a internet, a humanidade produziu 12 bilhões de gigabytes de informação, algo como 54 trilhões de livros com 200 páginas cada. Agora veja esta: somente no ano de 2002 produzimos os mesmos 12 bilhões de gigas! Geramos num ano o mesmo que em 40 mil anos... Em 2007 foram mais de 100 bilhões de gigas! E em 2012 serão alguns trilhões! Produzimos informação numa velocidade cada vez maior enquanto inventamos traquitanas que tornam cada vez mais fácil acessar essas informações. Mas de que adianta ter acesso às informações se não temos repertório para dar um sentido à realidade?

O resultado é a geração T, que sabe tudo que acontece, mas não tem ideia do por que acontece. Entrega-se à tecnologia de corpo e alma, como “vending machines”, aquelas máquinas automáticas de vender refrigerantes em lata, sabe? Distribuidores de conteúdo de terceiros, focados no processo de distribuição, mas sem qualquer compromisso com o conteúdo distribuído.

Nada a estranhar, afinal. Querer que as gerações que saem de nosso sistema educacional falido conheçam questões conceituais, paradoxos, tradições, estilos de comunicação, relações de causa e efeito, encadeamento lógico dos argumentos e significados para poder exercer o senso crítico é demais, não? É mais fácil e menos comprometedor simplesmente contar para os outros aquilo que ficamos sabendo.

A geração T não consegue praticar curiosidade intelectual, só a curiosidade social. Tentei achar um nome para esse fenômeno e acabei concluindo que só pode ser um: fofoca.

A geração T é a geração dos fofoqueiros. E você é testemunha.

 



Escrito por Hate&Whisky às 11h37
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MÁFIA CULTURAL, ISSO SIM!

 

lei

 

Acabei de ler um texto da atriz Fernanda Torres intitulado “Os Demônios”.  A peça foi publica no site do Observatório da Imprensa e, no texto, a global tece loas à iniciativa de Maria Bethânia, que associada ao pé-no-saco do Hermano Viana, tentava garantir quase 2 mangos para publicar um blog de poesias às custas de dinheiro público. Lá pelo meio do texto ela entrega o ouro revelando o porque de sua indignação. Uma produtora associada a ela e à sua mãe, a também atriz Fernanda Montenegro, não consegue patrocínio para tocar um projeto adiante porque não foi beneficiada com a boquinha estatal.

Por estas terras goianas tem acontecido a mesma coisa. Produtores culturais e artistas que se acostumaram por muito tempo a produzirem festivais de música, teatro e cinema, gravar cds etc., com dinheiro das leis de incentivo goiana, de repente se viram traídos pela gestão atual da pasta da cultura. Gente que eles indiretamente nomearam para o cargo. 

Como as personagens principais dessas reivindicações não podem mais se manifestar contra o governo, pois possuem cargos dentro da Agência de Cultura, se valeram mais uma vez do expediente da massa de manobra, e na semana passada tivemos a “grande passeata por políticas públicas de cultura”, onde o mote era a união dos trabalhadores da área cultural pelo direito de fazer cultura e também que cultura é prioridade e gera emprego.

Que é prioridade eu concordo. Mas gera emprego pra quem? A grande passeata só tinha umas 100 pessoas, que foi inflacionada para 200 e dois depois para 500 pessoas. Quem esteve presente disse que só foram os 100 mesmo. Desses 100 dois eu conheço, um é advogado e outro é jornalista. Quer dizer, não trabalham na área da cultura. Hummm, o nevoeiro vai se dissipando...

A justificativa é que esses projetos financiados pelo Estado trazem uma contrapartida social e que geram emprego. Que contrapartida? Aliás, nunca vi contrapartida social, porque os festivais acontecem em locais onde, quem agraciado com tais benesses, não tem condições de ir.

Em momento algum, desde que foi anunciado o corte de metade do dinheiro para os indies estatais fazerem farra, não vi nenhuma manifestação em prol da tal contrapartida social. Até quem é ligado ao Fora do Eixo e Espaço Cubo [estes sim, com um trampo social bacana e consistente, pelo menos no Mato Grosso], não se manifestou de forma diferente. Resumindo, a briga é por dinheiro, não por cultura.

Se alguém duvidar, durante a minha pesquisa para escrever essas palavras chulas achei essa pérola aqui numa página de uma dessas organizaçõs mafiosas: Para além disso, acreditamos que [...] deva ser também uma engrenagem que faça parte de um processo maior, articulando-se com outras instituições, grupos e redes culturais e, principalmente, com o poder público, que percebemos como sendo nosso mais importante caminho para a sustentabilidade econômica [...] por meio do acesso às verbas públicas viabilizadas pelos editais.”  

Como diria o Mazaroppi, se eu tivesse encontrado isso antes, nem teria escrito um texto deste tamanho.



Escrito por Hate&Whisky às 22h56
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BLÁ BLÁ BLÁ DE NÊGO À TÔA

Saudações terráqueos,

 

Depois de muito lenga-lenga, os pré-candidatos que estão prestes a continuar fodendo com nossas vidas a partir do dia 3 de outubro começaram a aparecer nesse no famigerado feriado de Páscoa, onde mais uma vez a cara-de-pau dos políticos e o consumismo exagerado venceu.

 

Lendo as diversas análises que saíram ontem nos jornais, notei que figura do “marqueteiro” tem sido uma das maiores preocupações dos candidatos. Na semana passada, assisti a uma entrevista em que um profissional do marketing político dizia que “o brasileiro não cai mais nessa de político bonzinho fabricado porque aprendeu a diferenciar o político honesto do corrupto pelo olhar”. Poético, mas não dá pra confiar.

 

Fora a figura do marqueteiro político, a grande mídia, no afã da manutenção do status quo, também deve ser considerada importante peça política, pois são as informações veiculadas no horário nobre e nos jornais de grande circulação que vão decidir se queremos continuar ruminando e convivendo com certas ameaças, como a que o Plano de Direitos Humanos quer impor à liberdade de expressão. Se um absurdo desses tiver sustentação no futuro, pode crer que as primeiras vítimas seriam os blogueiros.

 

Washington Araújo postou no último dia 2, no OI, um artigo intitulado “A paixão conservadora”, em que fala como a grande mídia, desde a queda do muro de Berlim, e presa em seu conservadorismo, não conseguiu acompanhar os grandes temas que realmente interessam às massas humanas.

 

Alguns trechos:

“Como muitos medicamentos, o conservadorismo tem como princípio ativo o olhar de soberba, de cima para baixo, a não aceitação que o pessoal do andar de baixo tem os mesmos direitos que os do andar de cima, que a lei é soberana para todos e que a esta todos devem se submeter. O conservadorismo chega a ser um estilo de vida, uma forma de lutar contra qualquer forma de inclusão, seja social, cultural, digital”.

“Nada disso foi manchete porque nada disso foi notícia para um jornalismo ávido por sensação e alheio a percepções; para uma mídia ciosa por manter seu próprio muro de Berlim, tão bem simbolizado por seu extremo partidarismo, por sua cruel parcialidade na hora de decidir o que pode e o que não pode ser tratado como notícia”.

Sim, pode parecer por demais apaixonado, mas num ano em que interesses comerciais e políticos devem prevalecer, pois teremos Copa do Mundo e eleições, é bom ficar de olhos bem abertos. O artigo completo está disponível aqui: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=583IMQ011 .

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nn



Escrito por Hate&Whisky às 15h11
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BOLSA ROQUEIRA

bag

Se tem uma entidade que eu não levo a sério de jeito nenhum é a tal da Abrafin (Associação Brasileira da Falta de Inteligência). Desde a fundação de tal agremiação faço minhas críticas pela pretensão com que ela concebida, pelos festivais ruins que ela promove [com algumas exceções, claro], pelo fato de operar no esquema “minha banda no seu festival e a sua toca no meu”, pelo mau uso do dinheiro público conseguido via leis de incentivo municipais, estaduais e federais, e principalmente pelo fato de que os caras criticam as grandes gravadoras, mas tem como finalidade transformar o “cenário” independente em “mercado” independente, tudo com assessoria do Sebrae e promoção de palestras e workshops fajutos que precedem os festivais, cheios de alunos de Comunicação Social que fingem estar interessados no assunto, mas querem mesmo é pegar os certificados que valem como as famigeradas horas complementares na faculdade.

 

Resumindo: a Abrafin, dia sim, outro também, a ajuda a descaracterizar o underground atirando pedras na vidraça dos outros, mas fazendo justamente o que tanto criticam.

 

Mas imaginem só que esta manhã me chega por e-mail uma reportagem publicada no dia 26/02 no Laboratório Pop, realizada por Mário Marques e Ricardo Schott, intitulada “O Racha dos Indies”. Em pauta, um panorama muito bem apresentado do descontentamento de alguns membros com os rumos politiqueiros que a associação vem tomando, inclusive partidário, como diz o Paulo André, criador do mais importante festival independente brasileiro, o Abril Pro Rock: “Não tenho tempo para isso, abdiquei porque quero participar, mas não com esse nível de entendimento.”

 

Leiam a reportagem aqui:

http://www.laboratoriopop.com.br/recebeMusica.php?materia=O+racha+dos+indies&id=60



Escrito por Hate&Whisky às 11h15
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. * . * . * .

"Não estará você se tornando o que sempre odiou?" [Bukowski]

 

Foi o que me passou pela cabeça ontem quando passei num shopping da cidade e eles estavam todos lá, os velhos zumbis da época natalina. Gente andando à esmo em um lugar lotado olhando vitrines e consumindo sem parar. Depois de fazerem suas compras, correm para um Mcdonalds qualquer e enchem a pança com um sanduíche de plástico.

 

No mundo pós-moderno centrado no consumo, o corre-corre das grandes redes fez a época festiva chegar mais cedo, pelo menos em Goiânia, e antes do final do mês de outubro já tinha gente lançando campanhas de marketing tendo o Bom Velhinho como tema. Antecipação bruta do espírito natalino que gera mais consumo.

 

Nas minhas andanças pela blogsfera, encontrei a pérola abaixo num blog do caralho chamado Rainha Vermelha [http://scienceblogs.com.br/rainha/], que ilustra bem a situação de misturar uma data com a outra, fazendo do consumo um fim em si, em que o significado das coisas não importa mais, o que importa é consumir.

 

 zumb

 - Chuck? Isso é errado.
- Ei, não é culpa minha. Quando as lojas começam a vender presépios
em outubro, é de se esperar alguns zumbis na manjedoura.
- Mire na cabeça, menino Jesus!

 

 

Do jeito que a coisa anda, provavelmente você verá em breve algum saldão de Carnaval antes do Ano Novo.

 

Essa configuração no modo de consumir começa a ser definido a partir da década de 1980, quando as ideologias das décadas anteriores são materializadas em forma de produto. A rebeldia agora pode comprada na prateleira de qualquer shopping center, ícone máximo do consumo, principalmente através da moda. As vestimentas, peças de identificação de movimentos anti-sistema começaram a ser reproduzidas em larga escala, gerando “rebeldes de butique”. Um exemplo? As camisetas de Che Guevara vendidas aos montes ao redor do planeta e por fim a aberração emo, que eu considero o ápice da rebeldia vitrineira.

 

Tudo leva o rótulo de pós-moderno, que é muito mais a fadiga de uma época que parece extinguir-se e faz cada vez mais força em direção ao auto-extermínio, pois a “consciência” pós-moderna não corresponde à “realidade” pós-moderna. A ação política pós-moderna, descrente da ação política tradicional (ação direta, protestos, partidos políticos, sindicatos, eleição de representantes, etc), prefere atuar através de ações voluntárias assépticas por meio de ONGs classe média, ou com atos mais ou menos espontâneos de grupos e de sujeitos que investem, por exemplo, em melhorar a saúde da sociedade. Argh!

 

Então essa sociedade favorece o surgimento de um hedonismo socializado pela mídia e, de certa forma, respondida pela própria sociedade como sintoma sociedade espetáculo e sem inimigos a derrotar.

 

A resposta da pergunta-título só tive agora, depois de escrever essas porcas palavras: felizmente não.



Escrito por Hate&Whisky às 16h28
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PENSE NO ASSUNTO

Lembra daquele papo que eu disse aqui dias atrás sobre a enxurrada de informações, e nada de conhecimento, e também sobre a falta que os conteúdos de História fazem aos cursos de Comunicação da atualidade? Vejam só que Coluna Antissocial o mestre Alberto Dines lançou hoje no Observatório da Imprensa. Leia e medite, pois se você ainda não percebeu, essas aberrações da mídia afetam diretamente o seu dia a dia.

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FIM DO MURO E DA CORTINA

Mídia cobriu a festa sem entender

Por Alberto Dines em 10/11/2009

 

A eufórica rememoração dos 20 anos da derrubada do Muro de Berlim logo seguida pelo destroçamento da Cortina de Ferro necessita de alguns contrapesos. A mera exaltação em torno de triunfos produz perigosos desvios cuja soma pode resultar na subversão dos fatos.

 

A mídia – internacional e brasileira – tem se mostrado exímia em simplificar os significados da derrubada daquela barreira entre as duas Alemanhas. Com as mesmas imagens, sutis manipulações lingüísticas e rememorações incompletas fabrica-se uma História virtual, reduzida, diferente da real.

 

A queda do muro berlinense e o fim do império soviético não significaram o fim do socialismo. Essa balela não honra uma imprensa qualificada que se pretende isenta e livre. O que caiu – de podre – foi o comunismo, sobretudo a sua versão stalinista, estúpida, sanguinária, totalitária.

 

O socialismo democrático, ou mais precisamente a social-democracia, não foi despedaçado a golpes de martelo e picareta em 9 de novembro de 1989. Ao contrário, forneceu o cimento de altíssima qualidade para a construção não apenas da República Federal Alemã, a Alemanha Ocidental, como do Mercado Comum Europeu na qual se alimentou e prosperou.

 

Mesmo quando fora do poder o Partido Social Democrático Alemão (SPD) conseguiu manter todas as características de um welfare-state, estado previdencial, rigorosamente democrático, herdeiro legítimo do humanismo da República de Weimar.

 

Imperiosa outra correção de caráter histórico-filológico: o liberalismo vitorioso não foi propriamente o liberalismo político, essencialmente democrático, mas o econômico (logo depois apelidado de neoliberalismo), aquele que abomina a função reguladora e social do Estado. O chanceler Helmuth Kohl representava o conservadorismo alemão, mas comparado com os congêneres de outros rincões, sobretudo o anglo-americano, poderia ser qualificado como progressista. Margaret Thatcher e George Herbert Walker Bush representavam o capitalismo agressivo, sem controles, implacável. Este mesmo capitalismo que se estatelou em 2008 e agora Barack Obama e Mikhail Gorbachev tentam consertar.

 

Messianismo futurista

 

Examinados pelo espelho retrovisor e com um intervalo de duas décadas, estes equívocos podem parecer insignificantes. Na realidade, foram os responsáveis por uma ilusão extremamente perigosa. A partir de 1989 – e mais visivelmente a partir de 1991 – o mundo foi intoxicado por um monolitismo medieval. E a mídia foi o arauto de uma diabólica arrogância que não apenas liquidou o Outro, como liquidou as noções de alternativa e alternância.

 

Fomos empurrados prematuramente para a era da Infalibilidade e das Certezas; o triunfalismo de 1989 não deixou lugar para as dúvidas, questionamentos e ceticismo. E a imprensa só existe, só funciona e só é necessária quando consegue vocalizar dúvidas, questionamentos e ceticismo.

 

O desvario da mídia brasileira começou justamente nesta época. Foi a fase da "brindologia", farta distribuição de brindes encartados nas edições de domingo. Os jornais queriam aumentar as tiragens de qualquer maneira. Perderam as referências, esqueceram os limites e os compromissos. Quem mandava era o marketing e os consultores internacionais. Foi exatamente naquele momento que desembarcou em nosso país a turma da consultoria Inovación Periodística a serviço da Universidade de Navarra e da Opus Dei.

 

Jornais e semanários de informação resolveram dar marcha a ré, retroceder na busca da qualidade. Uma imagem vale mil palavras, lembram-se desta bobagem? A vitória sobre o "socialismo" animou os esquartejadores: o mundo estava salvo, a informação qualificada era agora desnecessária. A felicidade e a prosperidade estavam disponíveis, universais. Dispensaram-se os correspondentes estrangeiros, enxugadas as páginas de noticiário internacional, criados os "pátios dos milagres" (páginas de medicina e saúde alimentadas por press releases da indústria farmacêutica).

 

As primeiras negociações para a criação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) na Unicamp – embrião deste Observatório – datam justamente de 1993, quando o circo da mídia começou a funcionar em alta velocidade.

 

Naquele vale-tudo pós-Muro e pós-Cortina de Ferro, apareceram as novas tecnologias de informação, a internet, o messianismo futurista, o endeusamento dos gadgets, o culto da obsolescência. Sem clima para duvidar e sem tempo para exercitar a prudência, todos se aboletaram nas modas, ondas e bolhas.

 

Mundo de ontem

 

O Muro de Berlim resultou da vitória sobre o nazi-fascismo. Sua derrubada liquidou um dos protagonistas desta façanha, o totalitarismo de esquerda. O esfacelamento deste criou um totalitarismo vândalo, sem filiação, rotativo, fragmentário. Igualmente opressor.

 

Os mediadores entregaram-se à pressa e aceleraram mudanças que sequer suspeitavam. A mídia assistiu ao desmoronamento do Muro e da Cortina de Ferro sem os entender. Ao contrário da mobilização contra o terror nazi-fascista dos anos 1930 e 40, em 1989 e 1991 a mídia clicou flashes e câmeras sem perceber o que acontecia. Iludiu-se e iludiu.

 

O suspiro nostálgico do Eric Hobsbawm ao afirmar que o Muro de Berlim mantinha o mundo em segurança precisa ser entendido no contexto da sua Viena e do mundo de ontem. O historiador condenava o caos e o desvario que substituíram a Alemanha dividida e liquidaram os valores que a humanidade perseguiu sistematicamente ao longo de alguns milênios.



Escrito por Hate&Whisky às 13h45
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. * . * . * . * .

Saudações Terráqueos,

 

Estamos chegando ao final de mais uma década que, ao contrário do que eu ouvi ontem, não é melhor esquecer, mas sim lembrar de cada fato que ocorreu nestes últimos dez anos para ver se aprendemos a lição direito. A movimentação social porque o mundo passou na última década vai ditar os próximos anos.

 

A arte convergindo para a internet, como cinema e música, a febre dos sites de relacionamento, o Myspace, o Google, a Wikipédia, a independência que os blogs proporcionam aos usuários da rede, o 11 de setembro, a guerra do Iraque, Barack Obama e Osama Bin Laden, Lula no poder, aquecimento global, consumismo, protestos no mundo inteiro contra o neoliberalismo, mais consumismo, a instituição do quarto mundo (aquele em que as pessoas que não podem consumir são simplesmente ignoradas como cidadãos, mesmo que morem na Suíça), mais consumismo, o consumismo desenfreado em que a população mundial esqueceu de plantar comida para comprar bobagens eletrônicas, tipo o iPhone, que eu elegi por conta própria como símbolo máximo de toda a podridão que rolou de 1999 pra cá, por ter sido um produto que o mundo inteiro esperou mas que ninguém tinha dinheiro para compras por causa da crise financeira em que o mundo inteiro entrou! Espero que tenham aprendido a lição!

 

Mas nada me fez mais feliz do que o desespero da indústria fonográfica frente ao fenômeno do mp3 e da coragem do Napster e outros provedores de música gratuita, e dos pirateiros que vendem CDs na porta do bar por apenas 5 mangos; no desespero que se tornou a busca por uma nova banda que reproduzisse o fenômeno do Nirvana, conseguiram produzir as aberrações do fenômeno que ficou conhecido como emo. Em contrapartida, víamos o lançamento de Kid A, do Radiohead, dando direção à música que feita nesse começo de milênio e as estrepolias e a música de Amy Winehouse (mina que canta pra caralho, mas preferiram dar mais atenção à sua vida auto-destrutiva do que à sua arte), agora mais pro final da década. Finalmente, algo que me agradou muito foi a profileração dos festivais de música independente, bancados com dinheiro público ou não.

 

Onde eu quero chegar com tudo isso? Não sou bidu, mas com todas as referências que eu citei acima, digo que a pressão chegou ao limite e a música que vai ser produzida na próxima década será pesada. Muuuuuuuito pesada. Lembra quando surgiram Pantera e Ministry no começo da década de 1990? Então, é aquilo lá, só que com a presença da música eletrônica. As coisas já começaram a pipocar aqui e ali. Basta dar um role pelo myspace que já dá para ter uma noção.

 

Sem falar que muita gente ainda está aí na ativa: Slayer, Ratos de Porão e Napalm Death, só para ficar nos que eu mais gosto. Quanto à situação mundial, como sempre, penso que vai piorar antes de melhorar. Finalmente teremos uma trilha sonora à altura da realidade que nos aguarda.

 

Prepare-se para o caos! Comece por aqui e dê uma escutada nas bandas que estão linkadas aos mestres abaixo:

www.myspace.com/ratos  

www.myspace.com/slayer

www.myspace.com/napalmdeath

www.myspace.com/ministrymusic

www.myspace.com/nin

www.myspace.com/samael  



Escrito por Hate&Whisky às 18h21
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. * . * .

Carnaval Atômico

 

Hoje de manhã vi uns garotos indo para a escola e o assunto deles não era os episódios do Ben 10 [aquele menino que com um relógio consegue se transformar em 10 super-heróis diferentes], ou sobre as teias do Homem-Aranha, mas sim crise financeira e as revoltas sociais que tudo isso tem provocado ao redor do mundo. Percebi que muita coisa ali era repetição do que tinha sido visto pela TV, mas também percebi que quando tinha a idade deles eu também tinha um medo: a terceira guerra mundial.

 

Aqueles eram tempos de Guerra Fria e eu via meu pai prestar atenção no Jornal Nacional e as notícias eram Guerra das Malvinas, recessão econômica mundial [sempre ela...], Margareth Tatcher & Ronald Reagan, o infame Escândalo da Mandioca [os caras pegavam milhões emprestado do governo para plantar mandioca para acabar com a fome no Nordeste e compravam iates, fazendas e jatinhos], fome na África e a Guerra Fria, que tinha como ameaça maior a guerra nuclear.

 

Quantas vezes já não me peguei pensando no fim naquela época. Tinha até uma música do Rádio Táxi, do falecido WanderTaffo, “Eva”, que falava de uma espécie de Arca de Noé espacial que levaria seres humanos para outro planeta para perpetuar a raça humana; e até o Léo Jaime tinha aquela música “Nada Mudou”. Isso sem contar os inúmeros filmes de Hollywood e os episódios de Além da Imaginação que falavam sobre os ataques nucleares.

 

Isso tudo ficou tão fixo no meu subconsciente que depois que eu ouvi Replicantes, de repente tudo aquilo fazia sentido. Tinha uma música chamada Boy do Subterrâneo, que eu ouvia e falava: “sim, esse é o mundo em viveremos no futuro”. Não estamos longe, pois vivemos no caos e crianças mutantes já nascem aos montes por aí, só falta a bomba atômica. A coletânea SUB então fritou meu cérebro com canções como Poluição Atômica, Terceira Guerra Mundial, Fim do Mundo, Realidades da Guerra, Desemprego, Delinqüentes  entre outras.

 

Então, para quem não gosta de Carnaval ou não vai viajar, recomendo que baixe isso aqui: http://ronaldsonofagun.blogspot.com/2007/05/coletnea-sub.html e veja como, 25 anos depois, os temas permanecem atuais. Ou então busque uma boa leitura, tem um monte de livro bacana e barato nos sebos e tem uns que até rola de fazer download.

 

 

sub 

 

Ah, vai aí também a letra de Boy do Subterrâneo, dos Replicantes. Até quarta-feira de cinzas, com ou sem bomba atômica.

 

Boy do Subterrâneo

Os Replicantes

Composição: Carlos Gerbase, Heron Heinz, Claudio Heinz

 

Eu era um rato do esgoto cloacal
Eu era um verme e pensava que era o tal
Não tenho culpa isso até que é bem normal
Não via luz, só tinha cruz no mapa astral

A minha gangue era aquela do blusão
A minha casa era um canto no porão
O meu futuro era viver na escuridão
E o meu destino era morrer na contramão

Mas na virada de uma esquina eu encontrei
Uma menina toda linda que eu parei
Como uma cobra ela mordeu meu coração
E o veneno envenenou a escuridão

Mas nossos filhos serão mutantes
Queria tudo como era antes
O sol nunca mais vai brilhar
Aqui dentro do abrigo nuclear

 



Escrito por Hate&Whisky às 15h13
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Jornalismo fashion*

Por Marcos Vinicius Gomes da Silva em 10/2/2009

 

No Domingo Espetacular de domingo (8/2), Paulo Henrique Amorim fez uma reportagem especial na favela de Paraisópolis em São Paulo, onde houve protesto de moradores contra a violência da PM paulista. Paulo Henrique entrevistou moradores, supostas vítimas de policiais truculentos, advogados de supostas vítimas da PM, a própria PM. No final da reportagem especial, Paulo Henrique foi até São Mateus, na zona leste de São Paulo, onde jovens da comunidade desenvolvem projeto social utilizando ferramentas como vídeo e internet.

 

Paulo Henrique Amorim é um tipo em extinção no jornalismo. Ex-TVs Globo, Bandeirantes e Cultura, ex-revista Veja e Jornal do Brasil nos tempos áureos, onde ocupou a direção de Redação, ele tem vivência de assuntos que exigem bastante tarimba profissional. Uma das situações jornalísticas onde se espera preparo é na cobertura de guerras. Outra, é em situações de conflito social, situações essas corriqueiras em nosso subdesenvolvido Brasil, apesar dos apelos ufanistas da era pré-sal. E nestes casos, quando há a explosão e o caos social causado pela nossa"cordialidade", associada a uma grande dose de cinismo de nossa elite, é necessária uma investigação bem feita e uma reportagem produzida com tempo e material suficiente para uma análise satisfatória dos fatos. Não é aquela reportagem feita com a repórter inexperiente, segurando assustada o microfone com dois temores em mente – de não ser roubada na favela durante a reportagem, nem de que seus cabelos fiquem desarrumados caso vente ou chova.

 

Matérias poéticas

PHA é o mais novo cristão novo do reino midiático de Edir Macedo. Às vezes penso que ele é o alter ego do próprio Macedo. Paulo Henrique às vezes exagera no ufanismo rastaquera iurdiano. São famosas as suas recentes investidas contra a Rede Globo e o império do mal. Pode-se até discordar de suas recentes atitudes, mas ele ainda empresta credibilidade a qualquer produto jornalístico, mesmo que seja um produto jornalístico produzido na obtusa Rede Record.

 

Eis que, então, ele vai lá à comunidade (eufemismo iurdiano para favela), entrevista todo mundo, suja com coliformes fecais liquefeitos seu sapato, come sanduíche de mortadela com os jovens de São Mateus numa desenvoltura e naturalidade impossíveis se a matéria tivesse sido feita por sua colega fashion Fabiana Scaranzi, pelo âncora William Bonner ou mesmo pela apresentadora namoradinha do Brasil, Patrícia Poeta. É preciso gabarito e anos de redação para uma epopéia tal.

 

Além de PHA, há outros jornalistas que sabem lidar sem melindres com o tema tabu da miséria. Alguns podem ser encontrados na Rede Globo. Temos Marcio Canuto, com suas entrevistas da tríade"churrasco de lingüiça na laje/problemas de transporte público/merenda escolar". Canuto é mestre do improviso e sua irreverência até constrange alguns entrevistados. Também há a repórter Neide Duarte, que com suas matérias poéticas (um tanto enfadonhas) mostra uma visão diferente dos problemas da população e da cidade como um todo."O rei Sol desponta avisando ao mar paulistano que é hora do batente" é algo comum em suas reportagens.

 

É possível ser imparcial

O jornalismo atual, pautado na linha entretenimento – vinhos, São Paulo Fashion Week e notinhas de celebridades –, desdenha completamente dos problemas que ocorrem em Paraisópolis ou territórios alhures similares no quesito"estamos entre as piores distribuições de renda mundo". O jornalista, antes idealista e arrojado, hoje dá lugar ao cinismo característico de nossa época. Algum repórter inexperiente que se aventure a fazer uma reportagem em lugares de alta vulnerabilidade pode sentir-se constrangido e complacente. Daí para os chavões e amenizadores da realidade é um passo. O pedreiro é"um batalhador que quer o melhor para os filhos", a viúva"mostra na face marcada pelo tempo a sabedoria popular" e toda e qualquer"almeja um futuro melhor". A falta de bom senso e visão coletiva é latente.

 

Esse é uns dos malefícios que o jornalismo Chanel pode trazer. Paulo Henrique Amorim deu uma amostra de que é possível ser imparcial, e não ser refém do pieguismo, numa situação tão delicada como esta, envolvendo pobreza, injustiças sociais e presumida parcialidade de outros veículos de comunicação.

 

 

* [O título original é Domingo Espetacular e jornalismo fashion, mas mudei porque a intenção é chamar a atenção par o que acontece na mídia do país inteiro, que a cada dia fica mais tosca e sem ética]



Escrito por giulianohash às 18h09
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OS CANALHAS

Os Canalhas tocam Roberto Carlos no Covernation 31/1- Martim Cererê

Alô, MEUS AMORES DA TELEVISÃO!

Estamos aqui para convidar-lhes para uma FESTA DE ARROMBA que vai ser UMA BRASA,MORA? Dia 31/1 as 19 horas OS CANALHAS irão apresentar os maiores sucessos do Rei Roberto em uma única apresentação,bicho! Contamos com nossos AMIGOs de fé e irmãos camaradas para mais esta jornada no Martim Cererê, dentro do festival COVERNATION.

Venham se divertir nesse evento PAPO FIRME cheio de EMOÇÕES.... confira aqui todos os DETALHES do evento:

16:00 Abertura
17:00 Vodrock - Garotos Podres*
17:30 Antes Do Fim - Escape The Fate!
18:00 The Galo Power - Zumbis do Espaço*
18:30 Cash For Chaos - Misfits!
19:00 Os Canalhas - Roberto Carlos*
19:30 Critical Strike - Millencolin!
20:00 Orquestra Groovial - Jorge Ben*
20:30 HC-137 - DRI!
21:00 Just Another Fuck - Titãs*
21:30 Johnny Suxxx and The Fucking Boys - Rolling Stones!
22:00 ChimpanZés de Gaveta - Tim Maia*
22:30 Deflorator Jam Band - Led Zeppelin!
23:00 ???? - Sepultura*
23:30 Dyrancy - Iron Maiden!
00:00 Gloom - Michael Jackson*

*Palco nacional -  ! Palco internacional

Local: Centro Cultural Martim Cererê (Rua 94-a st sul)
Preços : R$5,00 até às 17hs e R$ 15,00 após às 17hs

Vale lembrar que o valor de R$ 5,00 é uma ajuda de custo pra quem vai chegar cedo ao festival. Será válido somente no período entre 16:00 (abertura dos portões) e 17:00 hs (início da primeira banda). Assim que iniciar a primeira apresentação, será cobrado o valor real do festival, ou seja: R$ 15,00. Evite aborrecimentos, chegue mais cedo para garantir o preço promocional.

Todo Amor do mundo,
OS CANALHAS

www.myspace.com/oscanalhasamor

 E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO!



Escrito por giulianohash às 13h45
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1 ano

 

Hoje este blog completa 1 ano de existência. Criei essa toskera aqui para servir de suporte para a versão impressa do fanzine e tem dado certo até agora. Nesses doze meses os leitores puderam acompanhar o campeonatos de futebol numa perspectiva safada, e digamos, rodrigueana (pelo menos foi essa a intenção); a divulgação dos contatos ficou mais ágil, pois não precisa esperar a versão impressa para divulgar o material que recebo e os leitores já podem entrar em contato com zines e bandas com mais rapidez. Só as entrevistas que deixaram a desejar, mais pela quantidade mesmo, mas assim mesmo tivemos gente aqui do calibre de Facada, Just Another Fuck, DxDxO e Könträ, sem contar as que eu transcrevi de alguns zines que eu recebi, como Grinders, o impagável Gloria Excelsis Satani e o cabeção Dave Phillips, do Fear of God.

 

Teve também a divulgação de shows, os quadrinhos de Fernando Gonsales e Allan Sieber, o desfile das mulheres-fruta e das musas das torcidas, filmes trash, dicas de blogs e os comentários do meu único leitor, o Caveira. A tendência é melhorar e divulgar melhor esse lixo aqui.

 

Falando em lixo, para comemorar esse aniversário, sugiro um trash à altura: Aniversário Macabro, de Wes Craven (1972). O filme é tão boca-de-porco que o próprio cineasta chegou a afirmar isso aqui: "Eu não vi 'Last House on the Left' várias vezes... Eu nem me lembro a última vez que vi, mas faz muito tempo. É um filme muito pesado e sinistro, e não é daquele tipo que a gente sente prazer em ver num sábado à noite. Mas muitas vezes as pessoas me dizem 'Este é o seu melhor filme', ou 'É o seu filme mais emocionante'. Não sei... Ele é tão cru e horrível... Você sabe, não é aquele tipo de filme que eu vou sentar e assistir com prazer."

 

 

LAST HOUSE ON THE LEFT (Last House on the Left, EUA, 1972). 91 minutos
Direção e Roteiro:
Wes Craven
Produção:
Sean S. Cunningham
Fotografia:
Victor Hurwitz
Música:
David Hess; Steve Chapin
Edição:
Wes Craven
Efeitos Especiais:
Troy Roberts
Desenho de Produção:
Susan E. Cunningham
Elenco: Sandra Cassel (Mari Collingwood); Lucy Grantham (Phyllis Stone); David Hess (Krug Stillo); Fred J. Lincoln (Fred 'Weasel' Podowski); Jeramie Rain (Sadie); Marc Sheffler (Junior Stillo); Gaylord St. James (Dr. John Collingwood); Cynthia Carr (Estelle Collingwood); Ada Washington; Marshall Anker; Martin Kove; Ray Edwards

 

Se você nunca ouviu falar da parada, tem uma resenha bruta dele aqui: http://bocadoinferno.com/. Vá em Artigos e procure por Last Last House on the Left. Ano que vem a gente faz outro balanço.



Escrito por giulianohash às 17h36
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PORKO PARADE

Minha contribuição [tosca] para a Porko Parade.

Aproveita e entra lá que tá cheio de coisa massa. Tipo esse trabalho aqui do Mateus Rettamozzo:

 

http://porkoparade.zip.net/



Escrito por giulianohash às 14h58
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"Tô cansado, tô cansado de tudo"

(Titãs - Cabeça Dinossauro)

 

 

Saudações terráqueos,

 

Estou começando a escrever a oitava edição do Dr. Gori e o tema dessa vez é “consumo e auto-destruição”. Consumo e auto-destruição de tudo: da juventude, da sociedade moderna, do vai-e-vem das celebridades, da crise financeira do mundo desenvolvido, da cara-de-pau dos políticos, do consumo desenfreado de aparelhos eletrônicos que amanhã estarão obsoletos, da matéria da Época que escolheu os 80 melhores blogs “que você não pode deixar de conhecer”, da Rede Globo, que trata os acontecimentos mais bizarros como se fosse apenas mais um capítulo de suas novelas super-produzidas, do Sílvio Santos e da Maísa, dos festivais de rock da Abrafin [e seu jeito Ídolos de ser], do romance da Mallu Magalhães com Marcelo Camelo, e da Goiânia Rock City.

 

Estou de saco cheio! Aliás, da Goiânia Rock City eu já enchi o saco faz tempo, e ainda bem que às vezes acontecem umas coisas na vida que nos afastam de vez de certas palhaçadas.

 

Nesse período de afastamento comecei a perceber um efeito Matrix que tem origem nos sites de relacionamento como o Orkut e como algumas comunidades ditam a forma de agir das pessoas que dela fazem parte. À minha maneira de ver as coisas, o mecanismo funciona assim: as pessoas se conectam, postam tópicos [“todo mundo” faz questão de comentar qualquer coisa idiota e raramente sai uma discussão que presta], e discutem o assunto até a exaustão. A partir desse momento estão com a mente carregada e podem sair para os bares e shows com a opinião formada sobre algum assunto. Que prático!

 

No ritmo que a sociedade de consumo anda, algum dia alguém ainda vai vender opiniões formadas pelo teleshopping. E aí, vai tomar a pílula azul ou a vermelha?

 

* * *

 

Sim, estou falando da comunidade Goiânia Rock Shit e de todas as que discutem o “rock independente” hoje, dos roqueiros de internet e também das pessoas que torcem para o romance da Malu e do Marcelo (que íntimo) dar certo.  Hahahahahahahaha! É tão deprimente que dá vontade de rir.

 

Esse final de semana começa a 14ª edição do Goiânia Noise Festival e poucas pessoas tiveram a coragem de questionar o papel social do festival. Se é que tem papel algum social. Como ontem o Tente Mudar o Amanhã, do Cólera, hoje amanheci com vontade de mudar o mundo, farei um questionamento.

 

Porque a Monstro, que realiza seus festivais com apoio e patrocínio de gente como Lojas Novo Mundo, Governo de Goiás, Secretaria Municipal de Cultura - Goiânia Incentivo à Cultura, Citröen, UOL, Trama e Sebrae-GO não realiza ações sociais durante o Bananada e o Goiânia Noise, como acontece com os outros festivais da Abrafin, como o Abril Pro Rock que tem o ingresso social [você paga quase meia-entrada quando leva junto 1 kg de alimento não-perecível]; como o Porão do Rock chegou a arrecadar 130 toneladas de alimentos em uma única edição e o Calango, que leva as ações do Instituto Espaço Cubo até as periferias e escolas públicas?

 

O que se vê aqui em épocas dos festivais [e isso inclui o Vaca Amarela], são palestras voltadas para o falido mercado fonográfico, ensinando roqueiros a vender sua música pela Internet e agora as rodadas negócios do Sebrae! [http://www.sebraego.com.br/site/site.do?idArtigo=3913]

 

Inclua nesse festival de esquisitices um público que comparece, comenta no dia seguinte na comunidade [no sábado, no domingo e na segunda-feira de manhã] e depois simplesmente esquece que passaram mais de 40 bandas durante um final de semana inteiro pela cidade e num local fudido como o centro cultura criado pelos traços do mestre Niemayer [mais cem anos para o velhinho!]. As pessoas se perdem num mar de mesmice falando sobre quantas lágrimas derramaram no show do Violins [se bem que esse ano não tem Violins, mas tem Marcelo Camelo], sobre quem estava lá, e se esquecem do principal. E assim, todos esperam ávidos para consumir o próximo festival. E esquecer novamente e consumir o próximo, e esquecer novamente e consumir o próximo...

 

* * *

 

Sim, a programação deste ano tá foda mesmo, não há como negar, principalmente no domingo, mas já que é para misturar música outras coisas, um pouco de responsabilidade e contrapartida social não faz mal a ninguém. O Dr. Gori se propõe a fazer a sua parte em relação à idéia do rock como produto, e ainda mais como produto descartável(!), e mesmo sem saber direito que caminho seguir, algo deve ser feito. Espero que no ano que vem a Monstro possa comemorar os 15 anos de um dos festivais de música mais importantes do país com algo mais que possa ser lembrado além da segunda-feira.

 

http://www.abrilprorock.com.br/2008/

http://www.festivalcalango.com.br

http://www.poraodorock.com.br

http://www.goianianoisefestival.com.br

 

Dedicado ao Caveira, Papai, Priscilla Winehouse e Danny Onça

 



Escrito por giulianohash às 11h00
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A crise do Império V (final)

 

Acompanhei ontem os noticiários televisivos e notei um endeusamento ao novo presidente do império em decadência Barack Obama. Trataram o cara como um desses participantes de reality shows que tem uma “história de luta e finalmente conseguiu chegar lá!”.

 

Obama, apesar de ser o primeiro presidente negro eleito nos EUA, nunca passou pelos perrengues da vida que a maioria da população negra norte-americana passou ou passa. Está certo que as sementes foram plantadas por Luther King e os Panteras Negras nas décadas de 1960 e 1970. E ainda a batalha de Los Angeles (1992), na época do Rodney King levou a uma impressionante integração afro-americana, mas daí dizer que o cara foi eleito porque é negro já é demais.

 

 

Vi tudo isso mais como um movimento de protesto contra Bush e o partido republicano do que uma grande vitória democrata. Ainda mais se prestarmos atenção ao fato de que Obama é um ex-muçulmano que se converteu ao cristianismo, estudou em Harvard, foi advogado, senador e pegou o país numa crise estrutural e financeira que, dizem os especialistas, é ainda pior do que crise de 1929. Obama ainda é um cara extremamente articulado e muito bem assessorado, inclusive por Hillary Clinton.

 

Numa comparação bem tosca, eleger a cor da pele como elemento para escolha de um presidente de uma nação é se utilizar do mesmo mecanismo do dar o prêmio de 1 milhão de reais do Big Brother para a fulana de tal porque ela é a mais pobre. Ainda mais se prestarmos atenção também ao fato que a questão racial nem era ponto tão relevante na agente política do então candidato.

 

Criação de Tor Myhren, diretor de criação da agência de publicidade Grey, de Nova York, parte da campanha "Let the issues be the issue", ou "Deixe as questões serem a questão". A intenção foi provocar os eleitores a deixarem de lado a cor da pele dos candidatos e se preocupar mais com as idéias que eles tem na cabeça.

 

O show de horrores me levou a alguns questionamentos numa fração de segundos: 1) agora que ganhou, o que Obama fará para reestruturar seu país; 2) a que preço as tropas norte-americanas serão retiradas do Oriente Médio (Iraque e Afeganistão); 3) quando ele diz que quer a América Latina como ‘sócios’, o que ele quis dizer com isso?

 

Agora que o Império mostra suas ruínas para o resto do mundo, percebe-se que: 1) os Estados Unidos são um país sem o apoio mundial e poder econômico que tinham (eles ainda tem o maior poderio militar); 2) os acordos de paz e a retirada das tropas do Oriente Médio vão depender de barganhas e mais barganhas com a Europa e Ásia; 3) com a concentração de Bush na caçada a Osama e Saddam, a América Latina, principalmente o bloco sul-americano, se organizou politicamente com uma tendência esquerdista socialista e conseguiu respeito dos outros blocos políticos e econômicos.

 

Resumo da ópera: a mudança chegou? Pode até ser, mas antes de melhorar vai piorar.

 

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Para quem está acompanhando a crise do Império de camarote, aqui vai duas dicas de sites com bons artigos para entender o mundo de uma forma distante dos espetáculos televisivos: Le Monde Diplomatique Brasil: http://diplo.uol.com.br/; e Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

 



Escrito por giulianohash às 13h07
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