MÁFIA CULTURAL, ISSO SIM!

 

lei

 

Acabei de ler um texto da atriz Fernanda Torres intitulado “Os Demônios”.  A peça foi publica no site do Observatório da Imprensa e, no texto, a global tece loas à iniciativa de Maria Bethânia, que associada ao pé-no-saco do Hermano Viana, tentava garantir quase 2 mangos para publicar um blog de poesias às custas de dinheiro público. Lá pelo meio do texto ela entrega o ouro revelando o porque de sua indignação. Uma produtora associada a ela e à sua mãe, a também atriz Fernanda Montenegro, não consegue patrocínio para tocar um projeto adiante porque não foi beneficiada com a boquinha estatal.

Por estas terras goianas tem acontecido a mesma coisa. Produtores culturais e artistas que se acostumaram por muito tempo a produzirem festivais de música, teatro e cinema, gravar cds etc., com dinheiro das leis de incentivo goiana, de repente se viram traídos pela gestão atual da pasta da cultura. Gente que eles indiretamente nomearam para o cargo. 

Como as personagens principais dessas reivindicações não podem mais se manifestar contra o governo, pois possuem cargos dentro da Agência de Cultura, se valeram mais uma vez do expediente da massa de manobra, e na semana passada tivemos a “grande passeata por políticas públicas de cultura”, onde o mote era a união dos trabalhadores da área cultural pelo direito de fazer cultura e também que cultura é prioridade e gera emprego.

Que é prioridade eu concordo. Mas gera emprego pra quem? A grande passeata só tinha umas 100 pessoas, que foi inflacionada para 200 e dois depois para 500 pessoas. Quem esteve presente disse que só foram os 100 mesmo. Desses 100 dois eu conheço, um é advogado e outro é jornalista. Quer dizer, não trabalham na área da cultura. Hummm, o nevoeiro vai se dissipando...

A justificativa é que esses projetos financiados pelo Estado trazem uma contrapartida social e que geram emprego. Que contrapartida? Aliás, nunca vi contrapartida social, porque os festivais acontecem em locais onde, quem agraciado com tais benesses, não tem condições de ir.

Em momento algum, desde que foi anunciado o corte de metade do dinheiro para os indies estatais fazerem farra, não vi nenhuma manifestação em prol da tal contrapartida social. Até quem é ligado ao Fora do Eixo e Espaço Cubo [estes sim, com um trampo social bacana e consistente, pelo menos no Mato Grosso], não se manifestou de forma diferente. Resumindo, a briga é por dinheiro, não por cultura.

Se alguém duvidar, durante a minha pesquisa para escrever essas palavras chulas achei essa pérola aqui numa página de uma dessas organizaçõs mafiosas: Para além disso, acreditamos que [...] deva ser também uma engrenagem que faça parte de um processo maior, articulando-se com outras instituições, grupos e redes culturais e, principalmente, com o poder público, que percebemos como sendo nosso mais importante caminho para a sustentabilidade econômica [...] por meio do acesso às verbas públicas viabilizadas pelos editais.”  

Como diria o Mazaroppi, se eu tivesse encontrado isso antes, nem teria escrito um texto deste tamanho.