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BLOG DO DR. GORI


DROGAS, AMY!

amysdead

1983 - 2011



Escrito por Hate&Whisky às 14h21
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FUCK YOU



Escrito por Hate&Whisky às 09h54
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DIEGO EL KHOURI

Nas minhas últimas andanças que eu fiz por diversas galáxias acabei conhecendo, por indicação do bruxo Diego de Morais, o zineiro Diego El Khouri. O cara está a frente de uns projetos bacanas e deu essa entrevista aqui pra Fanzinoteca Mutação [http://fanzinotecamutacao.blogspot.com/]. 

1 - Poesia em fanzines são tradicionais no Brasil, não?

DK: Os primeiros fanzines sempre foram voltados pra ficção científica. Inclusive no Brasil um dos primeiros fanzines pertencia a um clube que se chamava Intercâmbios Ciência-Ficção Alex Raymond, de Porto Alegre . A tendência desse tipo de mídia era essa mesmo. Até porque a ficção científica era encarada de forma torta, como uma sub arte, o que propiciou o surgimento de vários folhetins alheio a mídia convencional. Com a intensificação da cultura alternativa, surgimento de novos artistas, a contracultura e todos movimentos que surgiram, principalmente no fim dos anos sessenta, culminou no boom de produções alternativas atingindo seu auge na metade da década de 80. Mas a intenção quando se trata de algo que não é preso nem moldado nas regras pré estabelecidas é diversificar a coisa. Foram surgindo idéias, pensamentos, visões diferentes, momentos em que a linguagem principal nos zines eram as HQs, outros momentos em que eram as bandas de rock que perambulavam em quase todas as páginas contraculturais e também épocas de produções voltadas pra política sempre com um olhar anarquista. Então, por que dentro de todas essas abordagens a poesia não teria seu espaço, não teria sua voz? Agora posso falar de minha época, de meu tempo . Além de produzir tenho acompanhado muitos fanzines Brasil todo. Vejo uma diferença sutil na forma de falar de determinados temas, mas a função é a mesma. O underground hoje quer se expressar de forma politizada, porém agregando várias maneiras de atingir “os demônios da dominação”. Hoje em um único zine você vê, poesias, contos, entrevistas, textos teóricos, manifestos, mesclando todas as facetas da arte num único material. O compromisso com o fanzine é simplesmente com a liberdade de expressão, luta social e conscientização do pensamento humano. Existe uma galera muito boa produzindo arte de qualidade no Brasil todo. Basta abrir os olhos e “as janelas da alma”.


2 - Como é o processo de criação dos seus fanzines, com as colagens e tudo mais?

DK: Meu processo é contra o sono, o marasmo e o pensamento reacionário. Arte tem que fugir do lugar comum e da mesmice. O fato de não poder dormir é uma alegria e uma tragédia ao mesmo tempo. É através do não dormir que surgem as idéias, os tormentos e principalmente os pesadelos. Algumas pessoas temem o pesadelo, procuram fugir de sua dor, usam máscaras,se policiam, roubam ar alheio. Como não durmo meu pesadelo é o real, a centelha divina que me foi negada. Produzindo meus desenhos e quadros, trabalho minha psicologia visual e com ela transfiro para a linguagem do zine. Meu único compromisso é com a arte. Independente de qual seja. Produzo portanto meus fanzines durante as madrugadas solitárias, o frio escuro da noite, e o processo é baseado na forma clássica. Colagens, figuras desconexas, entrevistas, poesias, contos, delírios poéticos, sacanagens e por aí vai. Tanto o Molho Livre quanto o Cama Surta é dessa forma. Em ambos o que muda é a temática. Apenas isso. Mas algo irá mudar. O bom do fanzine é a metamorfose. “Somos tântalos na busca insaciável” como digo num texto. Meus zines são totalmente manuais e não procuro seguir uma forma rígida e contínua. Cada edição é um mergulho diferente, um novo desbravamento, a busca do diferente, do estranho, pelo olhar não familiar. Na constatação filosófica de Schopenhauer a arte opera como uma espécie de redenção e só nela reside a felicidade total. Se eu conseguir ultrapassar as portas que fecham a mente humana terei realizado meu objetivo.


3 - Como é a sua relação com os blogs e os zines xerocados?

DK: O blog Molho Livre é uma viagem totalmente diferente do zine impresso. Não desmereço nenhum nem o outro. Cada um forma o quebra-cabeça que compõe minha identidade, formam o conjunto de minha obra. Costumo dizer que pra me conhecer a fundo é necessário conhecer minha arte. É onde me desnudo todo sem pudor algum. Mesmo essa raiva por muita coisa que me cerca eu continuo resoluto em minha jornada. É como um maníaco obsessivo atrás de sua vítima. Trago comigo inúmeras cicatrizes na alma e cada corte é um verso que transponho para o papel. Portanto o blog é um livro em andamento como o zine. A maior diferença seja a quantidade de trabalhos. O blog é superior nisso, pois todo dia praticamente coloco texto novo e o zine xerocado é de acordo com meu orçamento. Eu sou um daqueles seres bárbaros que sempre lutarão para o fanzine impresso existir.


4 - Ainda distribui os zines pelo correio e nas ruas da cidade?

DK: No meu primeiro fanzine que se chamava Vertigem eu distribuía em shows de rock, de mão em mão e via correio. Descobri que só os que eu mandava pelo correio eram lidos. As pessoas às vezes nem olhavam para o material e jogavam fora. Nem pra limpar a bunda com meu zine (risos). Glauco Mattoso, grande mestre, me mostrou também a importância de direcionar seus leitores. Não acho ruim de forma alguma ser criticado. O que eu não entendo é as pessoas antes de lerem, rasgarem e jogarem no lixo. Mas, tranqüilo. O lixo é o receptáculo da poesia... (risos).


5 - E quais zines você edita atualmente?

DK: Eu edito o Cama Surta, que costumo definir como “folhetim coprofágico filosófico desimportante” ou cagatório de experimentos” e o Molho Livre. O negócio é produzir sempre! Mas como uma das características do fanzine é união, volta e meia poemas de minha autoria vão aparecendo em outros zines e blogs. É como uma teia onde as idéias se abraçam e viram colo. E além disso quero retornar a produzir o Vertigem e tem mais um outro fanzine em vista.


6 - E o Coletivo Zine?

DK: O Coletivo Zine surgiu da mente visionária do zineiro e amigo Wagner Teixeira do Anormal zine. É como uma teia onde as idéias se abraçam e viram colo. O blog está aberto pra quem tiver afim de participar.


7 - Tem descoberto muitos novos fanzines e fanzineiros?


DK: Claro. Só pra ter idéia, produzir fanzines me levou no final de 2010 para o Rio de Janeiro. Eu que sempre fiquei perdido e esquecido nas paisagens bucólicas de um interior do estado de Goiás me vi lançado no caos urbano desenfreado. Lá conheci vários fanzineiros pessoalmente. Alexandre Mendes, Winter Bastos, Fabio da Silva Barbosa, Eduardo Marinho e Wagner Teixeira. Há outros fanzineiros que conheço através de encomendas via correio e pela internet. Sinto os cacos se juntando.


8 - Você mantém contato com os fanzineiros tradicionais de Goiânia, como Márcio Jr, Oscar F. e a Flávia?

DK: Eu sou o filho da exclusão. É como se meus olhos estivessem roídos e do meu peito jorrasse sangue. Uma metáfora bem propicia para explicar o sentimento de bandido coagido que sinto em meu meio. Não conhecia nenhum fanzineiro em Goiania e com o advento da internet fui conhecendo muita gente de fora. Nos saraus de poesia que eu participava eu era visto como um lobo obscuro ou o filho do demo. As pessoas se chocavam com minha presença. Todo lugar que eu entrava saía deixando uma interrogação na cabeça das pessoas. É preciso sair de dentro de si mesmo para se conhecer, da mesma forma que é preciso sair de seu ninho pra conhecer sua casa. Chegando do Rio de Janeiro a primeira coisa que vi em minha casa foi um envelope que continha alguns exemplares do Fragmentos de Pensamentos ou Pensamentos Despedaçados de Ivan Pedro, um cara de Goiânia que mandei o Cama Surta por correio. Até o presente momento, mesmo estando perto, nos comunicamos apenas através de internet e correio. Soube recentemente que a loja Hocus Pocus, que vende artigos underground em Goiania, desde os anos 80 ajuda na divulgação de zines, até parte do Xerox financiam. Agora estou fincado mais em minhas raízes participando de movimentos e tal. Quero que alguma coisa se arrume.


9 - Quais as suas expectativas poéticas e zineiras para 2011?

DK: Publicar meu primeiro livros de poesias, continuar produzindo meus zines e expondo meus quadros. Um beijo certo no destino.



Escrito por Hate&Whisky às 20h22
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