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BLOG DO DR. GORI

RESENHAS


 
 

PRA COMEMORAR O DIA DO ROCK

Johnny Suxxx & the Fucking Boys – Zebra [Fósforo Recs]

 

jsuxxx

Que o Johnny Suxxx n´the Fucking Boys é uma das bandas mais ativas de Goiânia Rock Shit todo mundo já sabe. Todo mundo também já sabe que o primeiro trabalho, Make Up and Dream abriu portas para apresentações em vários festivais, uns expressivos, outros infames, do circuito independente. Mas talvez o que muita gente ainda não saiba é que a banda é massa tanto em cd quanto em cima do palco, mesmo quando toca com a aparelhagem tosca, como eu presenciei no Baile dos Solteiros, no Capim Pub, provando que a banda dá o seu sangue, suor e lágrimas pelo rock!

 

Acredito até que o fato de a aparelhagem estar tosca naquele dia ajudou na sonoridade suja da apresentação das faixas do “novo” disco, Zebra, que segundo a própria banda, é uma “pilhagem de clichês, riffs manjados e muita cara de pau”.

 

Foi justamente neste ponto que o novo trabalho da banda em chamou a atenção. Apesar de algumas músicas ainda puxarem bastante para o som do primeiro disco, o bom gosto desta “pilhagem de clichês e riffs manjados” remete ao que existe de melhor da fuleragem glam setentista e todo o vento no cabelo do hard rock oitentista de bandas como Vixen e heart. Durante a audição de Zebra, você também vai se lembrar de coisas bacanas como AC/DC, Alice Cooper Nashville Pussy, New York Dolls, a fase punk do Iron Maiden e, principalmente, The Darkness. Yes, they believe in a thing called love!

 

A produção caprichou na produção gráfica e se esforçou para manter uma sonoridade vintage, dando uniformidade sonora e visual ao disco. E, mesmo que este trabalho esteja mais maduro na parte das composições, assim como seu antecessor, sugere festas à beira da piscina, regadas a muita cerveja gelada e mulheres bonitas de biquíni. Uau!

 

Então, são por causa de músicas como “Addicted”, “Fancy Boy”, Oil and Blood”, “Fire on the River”, “Turn it On” e “Coco Chanel”, que ainda temos certeza que Johnny Suxxx n’ the Fucking Boys continua sendo uma das poucas bandas que continuam a honrar o título de cidade do rock possui, provando que de vez em quando ainda dá pra tirar um caldo da Goiânia Rock Shit.



Escrito por Hate&Whisky às 16h27
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. * . * . * .

INCINERADOR – Exterminando os ciclos da hipocrisia (independente)

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Pelo nome da banda e o título deste EP imagina-se logo se tratar de uma banda punk/HC. Pode-se dizer que sim. Mais pelo teor das letras, que são bastante politizadas e que atacam diretamente a igreja e a fé cristã, do que pelo som, um thrash/death muito bem executado, revelando que a escola dos caras é da época da melhor safra que o estilo já produziu. Riffs rápidos, cortantes, pesados e climas sombrios são apresentados no melhor estilo profano nas 5 faixas que compõem este trabalho. Não sou de julgar trampo gráfico ou profissionalismo na apresentação do material, até porque ã é toda banda que tem tempo ou grana pra isso, mas no caso do Incinerador, que inclusive já vem ganhando respeito na América do Sul pela sua música, um pacote mais bem acabado daria um destaque maior para a banda dentro do cenário metal. Os caras são de Porto Velho (RO) e merecem os frutos que vem colhendo. Tente não bater cabeça ao ouvir “Atazanar, repudiar e odiar”.

 

http://www.myspace.com/incineradordeath

 

 

 

DEADLY CURSE – Deadly Curse (Two Beers)

 

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Esta banda faz parte da segunda geração do metal extremo goiano, de que também fazem parte Dark Ages, Warlikke e Eternal Devastation. É também uma das poucas remanescentes desta época, e seu thrash influenciado pelas bandas das décadas de 80/90, evoluiu a ponto da banda se tornar um dos melhores expoentes do estilo, e arrisco a dizer que é uma das melhores promessas a nível nacional. As 4 músicas de “Deadly Curse” soam coesas e criam expectativa no ouvinte, indicando que a banda precisa transpor os limites regionais e buscar algo mais sério em termos de cena metal. Certamente é um dos sons mais bem executados e cativantes da geração, que culminou com o recente lançamento do primeiro cd dos caras, “Renegade”, que vem sendo aclamado como um dos melhores lançamentos nacionais do estilo. 

 

http://www.myspace.com/deadlycurse

 

 

 

INSANITY HATE – Insanity Hate (independente)

 

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Banda com cerca de 4 anos buscando um espaço no underground nacional, faz um death metal old school, com influências de Deicide, Hypocrisy, Possessed e Sepultura. Os caras destilam sai insanidade com um som bastante pesado, cheio riffs, blast beats e moshs violentos, que se destacam ainda pelas narrativas satanistas cantadas em português! É uma banda que está no caminho certo, mas que ainda vai ter que andar capeta um bom tempo como capeta se quiserem atingir algo maior na cena metal brasileira.

 

http://www.myspace.com/insanityhate  

 

 

DEVICE – Behold Darkness (independente)

 

v

 

Quatro faixas dedicadas ao death/grind extremo com influências como Slayer, Vader, Deicide, Krisiun e Sepultura. Apresentando alto grau de qualidade nas composições, este trampo do Device é a trilha sonora do festejado “A Capital dos Mortos”, produzido pela Vortex Filmes. Em uma sonoridade direta e certeira, as músicas que compõem “Behold Darkness” emanam um peso doentio, extremo, com muita técnica e violência em riffs poderosos. As faixas como Possessed, Soul of Maggosts e o petardo Kill You, e Verme (essa cantada em português) fazem parte desta amostra do a banda pode oferecer no futuro.

 

http://www.myspace.com/devicebrasil



Escrito por Hate&Whisky às 14h40
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Six, six, six...

iron

 

Iron Maiden. Simplesmente uma das bandas mais fodonas do rock mundial, que iniciou como uma banda de crueza e brutalidade punk que dominava a cena inglesa de então, só que com um talento enorme e um ‘feeling’ realmente diferenciado, com algumas canções melódicas e até mesmo um pé na fonte do progressivo. Nesse pique os caras lançam IRON MAIDEN e KILLERS, o álbum seguinte, que mostrava a mesma energia do primeiro, mas agora melhor captada pela competência de Martin Birch, cimentando a NWOBHM na cena musical mundial.

 

Com THE NUMBER OF THE BEAST, tudo veio abaixo em composições como a faixa-título [This can't go on/I must inform the Law/Can this still be real/or just some crazy dream?] “The Prisioner” e “Run to the Hills”, estabelecendo de vez a presença do capeta no heavy metal com aquela capa da mão de fogo.  além da entrada de Bruce Dickinson, que permitiu ao grupo passar para um outro nível em termos de composições, agora mais dramáticas e épicas, tendo como resultado o quarto álbum, PIECE OF MIND, que na opinião de alguns, é o que melhor representa o som da Donzela, em termos de beleza, melodia e ‘feeling’.

 

Essa fase atinge o auge na megalomania de POWERSLAVE, e a banda atinge o ápice em termos de grandeza, sendo capaz de dar ao mundo porradas do nível de “Aces High”, um refrão inesquecível como o de “Two Minutes To Midnight” e a sofisticação de músicas como “Rime Of The Ancient Mariner”, além da faixa-título. Famosos, ricos, influência de nove em cada dez bandas de metal que apareciam, no auge da energia e da criatividade, um entrosamento absoluto em estúdio e sobre os palcos, como pôde ser comprovado na World Slavery Tour, e que resultaria inclusive no clássico álbum ao vivo “Live After Death”.

 

Após tantas conquistas, como crescer mais? Como ser melhor? Como tentar alguma coisa diferente mas que não descaracterizasse o som do grupo?

 

Em 1986 o Maiden contava com sua formação clássica, com Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith e Nicko McBrain. A idéia de um álbum com clima futurista era perfeita para expandir os horizontes da banda em termos musicais e líricos. O novo petardo foi concebido com todo o cuidado e zelo, buscando-se perfeccionismos em todos os aspectos relacionados ao material. Então, em outubro daquele ano, o álbum SOMEWHERE IN TIME é lançado.

O tecnothrash criado pelo Maiden recebeu diversas críticas por algumas alterações em relação ao som anterior que a banda vinha desenvolvendo, principalmente pelo uso de guitarras sintetizadas, para criar o clima futurista do álbum. Era então o primeiro trabalho da banda que dividia opiniões entre os próprios fãs de forma mais contundente. As reclamações quanto à substituição de Paul Di’Anno por Bruce Dickinson na época de The Number Of The Beast nem chegaram perto da ‘chiadeira’ pós-Somewhere. Acontece que o álbum em si é uma das obras mais inspiradas do metal nos anos 80.

Pra começo de conversa, este é provavelmente o álbum onde dois dos integrantes da banda entregam seus melhores trabalhos como instrumentistas, que são Steve Harris e Adrian Smith, justamente os responsáveis pela composição de todas as canções do disco, à exceção de “Deja Vu”, que conta com a colaboração de Dave Murray. Alguns dos melhores riffs da banda residem nesse álbum, bem como talvez seja ele o trabalho onde estão os melhores solos da carreira da Donzela, como se pode observar em faixas como “Caught Somewhere In Time” [essa é foda!], a faixa de abertura, que ainda que seja uma música longa, é uma porrada do início ao fim, onde tudo parece se encaixar perfeitamente, introdução, vocalizações, melodias, refrão, solos e desfecho, e “Stranger In A Strange Land”, um daqueles clássico de descer lágrimas!

O entrosamento e a inspiração da dupla Murray/Smith mostra-se não menos do que excepcional nessa obra. Nicko McBrain exibe sua técnica de forma impecável. Todas as músicas, sem exceção, têm refrões marcantes. A voz de Bruce Dickinson varia do melódico ao agressivo na dose certa, além de propiciar algumas das melhores linhas vocais do Maiden, vide “Alexander The Great”. Observe então a introdução de “Wasted Years” e perceba que uma estruturação melódica que não é muito difícil de ser reproduzida consegue ser mais marcante que 99% das firulas e virtuosismos que podem ser observados no mundo dos guitarristas.

Duas pessoas também tem culpa no cartório por este clássico: Mr. Martin Birch, a quem se pode atribuir que neste disco o cara conseguiu a produção mais caprichada já realizada no Iron, com tudo está no lugar, perfeitamente audível e com a sonoridade que se pretendia para tal obra. O outro culpado se chama Derek Riggs, desenhista da capa, em seu melhor e mais criativo trabalho já realizado para o Maiden, além de ser, provavelmente, a capa mai legal dos álbuns de heavy metal. O cara definitivamente era genial. Além de abusar de detalhes mínimos, a capa trazia inúmeras referências ao passado e presente da banda, bem como sobre acontecimentos retratados em letras anteriores do grupo. Na época [e hoje também] era muito divertido ouvir o álbum e tomar umas ao mesmo tempo em que se procurava um novo detalhe ainda não percebido na capa.

“Somewhere In Time” é isso. Um álbum que conseguiu com o passar do tempo ostentar o status de clássico e mesmo depois de praticamente 24 anos, ele soa atual. Se possível, dê mais uma passada pelas oito faixas do disco, de preferência em vinil, e pense se ele merece ou não ser chamado de clássico.



Escrito por Hate&Whisky às 17h36
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OS REPLICANTES

Esse mês eles ccomemoram 25 anos!

replicantes

 

Blog tosco: http://osreplicantes-banda.blogspot.com/

Letra massa: Mistérios da sexualidade humana

De onde vêm os bebês?
Por que sangrar todo mês?
Quando será a primeira vez?
Como impedir a gravidez?
Por que não posso ver um filme-X?
Por que não posso ler a revista que eu quis?
Por que não posso ser um cara feliz?
Por que não posso ter aquela meretrix?
É verdade que cresce cabelo na mão?
É verdade que a doença pode vir num beijo?
É verdade que é bom reprimir o desejo?
É verdade que as mulheres gritam de paixão?
Mistérios da sexualidade humana

Link para baixar a discrorafia: http://www.taringa.net/posts/musica/2341644/Discografia-Replicantes-%5Bpunk-rock-brasil%5D.html



Escrito por Hate&Whisky às 17h46
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RETORNO ANARQUISTA

 

O anarquismo está cada vez mais presente nos temas das bandas HC/punk nacionais. E o motivo não é a crise global que assolou o Império e chacoalhou o capitalismo, dando a entender que consumo sem responsabilidade e limpar a bunda com dinheiro é o pior caminho a ser seguido. Separei aqui quatro obras do HC/punk nacional de protesto que nos lembram do seguinte: miséria, desigualdade social, violência, corrupção e ganância são mazelas que nunca saem de cena.

 

 

excomnANTI TRIBUTO EXCOMUNGADOS (Corsário Records)

Às vezes é bom dar de cara com coisas antigas e toscas. Principalmente quando são revisitadas e você percebe que continuam toscas, que é o caso de Anti-Tributo Excomungados. Tanto pela história da banda que, para começar, se auto-intitula “a pior banda do mundo”, quanto pelas disposição das bandas que se dispuseram a representar essa banda punk que foi um marco da década de 1980. O trabalho é uma comemoração aos 21 anos em atividade dos Excomungados, que apareceram ainda na hoje rara coletânea Ronda Alternativa, ao lado de nomes como Mercenários e Replicantes. Atuante no movimento punk brasileiro, o anarquismo é o fio condutor dos temas, e mostra mais do que nunca que os tempos atuais não estão tão distantes assim quando se fala de desigualdade social, desemprego, repressão, violência, corrupção etc. Músicas como Imperialismo [Plebeus Urbanos], Ordinária Hit [Me Exportem], Saque [Pé Sujus], Bêbado Drogado [Sarjeta], e as mais que clássicas Droga da TV e Só Penso em Matar [H. Joe] e Vida de Operário [Patife Band] conseguiram transportar a acidez de duas décadas atrás para o presente. Ponto positivo também são as participações de Mukeka di Rato [Nossos Filhos] e DZK [Pedido a Natan]. O vocalista Praxedes, explica mais ou menos os caminhos que a banda segue: “[...] Tem um grande sentido social, não só religioso. Porque excomunhão é quando você não comunga, você não come a hóstia. Uma grande parte da população passa fome, quer dizer, não faz parte da comunhão da sociedade. Então muita gente é excomungada pela sociedade.”

 

  

FECALOMA Transgredir por Transgredir (independente)

O Fecaloma é da família dos Excomungados. Filhos talvez. Dá para reconhecer os traços genéticos na batida, nas letras, na atitude anarquista e na tosquice. Não dá para dissociar uma banda da outra, ainda mais se considerarmos a relação espaço-tempo: São Paulo, década de 1980. No encarte não dá para identificar direito a época do lançamento mas alguns fatores entregam que é por volta de 1989/1990. A capa e a contra-capa são ilustradas pelas capas das edições número 1 e 2 da Escória Zine. Dá uma sacada nos temas: #1 [agosto/89]: polícia, poluição, união, punk inglês e manifestações. # 2 [abril/90]: luta ecológica, muro de Berlim, pós-modernidade, música [Sex Pistols e Tom Waits]. Deu pra entender? Nesse universo o som do Fecaloma é composto de forte influência do som do ABC no discurso e Ramones/HC californiano no som. No encarte traz um texto intitulado Palavras de Desordem, que inclusive eu já publiquei neste blog há algum tempo, e as letras são aqueles versos básicos do punk, como em O que há de errado com os vermes?, João Consumo, Nada Vai Mudar , É e Delinqüentes ou Inocentes. Não há notícias se a banda ainda continua na ativa, mas Transgredir por Transgredir é um trabalho que vale a pena correr atrás. Procure também por Rebelião Adolescente [segundo trabalho, sem data de lançamento] e Ocupar e Resistir [2000].

 

 

maltrapilhos OS MALTRAPILHOS Descaso (GBG Discos)

Pois temos uma arma que se chama consciência”. Esse é um dos versos da faixa que abre o novo cd d´Os Maltrapilhos, Descaso. Logo se imagina o que vem pela frente: protesto e a evolução de uma banda se revelou como uma das grandes do HC/punk rock candango em Desemprego-Desespero, seu primeiro trabalho. A banda completa 15 anos de estrada em março, e iniciou suas atividades em Ceilândia [DF], com um pé na revolta e outro na manifestação do ódio contra a inércia da racionalidade humana produzidos pela decadência da sociedade moderna. O anarquismo presente nas letras expressa o desejo de liberdade de auto-gestão e o apoio aos movimentos libertários, e ainda vem aliadas a um som composto por palhetadas rápidas, influenciado principalmente pelo hardcore nacional dos anos 80, com momentos rápidos e moshs certeiros ns 13 faixas, sendo 11 composições próprias e dois covers [Lixomania e Desacato à Autoridade], além de um vídeo intitulado Punk Rock Nacional. Ouvindo o cd, fico imaginando em que nível virá o próximo trabalho, já que o que mais me chamou atenção foram a evolução musical e o resgate de temas sociais, elemento que esteve do hardcore nacional nos últimos anos. Ouça Suicídio no volume máximo. Um thrash matador com letra idem.

 

 

DISFORME DISFORME Mais um número (DIY Records/TBonTB)

Em primeiro lugar, você deve ouvir faixas como Resistência, Arrependimentos, Justiça Injusta, Livre-se da Inércia, Mais um Número e Por que. Em segundo lugar, você deve saber que a vocalista dessa banda é uma mina que canta de uma forma que deixa muito marmanjo pra trás. E em terceiro lugar, você deve saber que Mais um número é um dos cds mais elegantes em termos de desgraceira hardcore que se teve notícia por esses lados do Planalto Central recentemente. Se a intenção inicial era produzir um som rápido, caótico, político e sem frescuras, conseguiram. O Disforme enfiou o pé na estrada no início de 2005 e essa experiência de tocar nos pubs mais quentes brasileiros, deve ser em parte responsável pela pegada e maturidade que o primeiro trabalho apresenta. A banda é formada atualmente por Täinärä (vocal), xNegretex (guitarra/voz), Petrônio QNG (baixo) e Marcelo Podrera (bateria) e apresenta temas libertários e “tenta, por meio das composições, transmitir isso a quem ouve, através de um hardcore nervoso totalmente contracultural. A banda acredita que o hardcore/punk é algo "disforme" pela diversidade de pessoas que se encontram nesse meio.” Achou pouco? Tem mais: “Não estamos aqui em busca de status nem de reconhecimento, e principalmente, não estamos aqui para impor nada a ninguém, estamos aqui por que gostamos do que fazemos e não cogitamos possibilidades de fins lucrativos. Unimos o útil [que é passar informações libertárias] ao agradável [por que sentimos imenso prazer em tocar] e não existe dinheiro no mundo que pague isso! Buscamos sempre a integração e parceria dentro do cenário punk/hardcore. O hardcore é algo que amamos e que vivenciamos em nosso dia-a-dia, é o combustível para nos manter vivos!” Massa!

 

 

EXCOMUNGADOS: excomungados@ig.com.br

FECALOMA: www.fecalomapunkrock.cjb.net   

OS MALTRAPILHOS: www.mypace.com/osmaltrapilhos 

DISFORME: www.mypace.com/disformedf



Escrito por giulianohash às 17h29
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. * . * .

 

Ontem comprei numa livraria nova e bacana que recentemente abriu suas portas, fruto de uma famigerada expansão de um shopping center perto de casa, o livro “No Divã com Adão”, uma coletânea de tiras já publicadas no Jornal Folha de São Paulo durante os últimos anos pelo cartunista Adão Iturrusgarai.

 

O autor, que hoje mora na Argentina, se inspirou em suas próprias experiências e criou a série quando fazia terapia em São Paulo. A estrutura do humor é semelhante em toda a série. Ele descreve situações cotidianas, algumas mais reais, outras menos, e atribui a cada uma um valor de punição ou recompensa, alternando tempo de análise, número de ave-marias/pai-nossos e períodos no inferno.

 

 

 

 

Em texto publicado na obra, o autor afirma que "à medida que contava minha vida e os prováveis traumas, começava a calcular quanto tempo teria de ficar no divã para resolver cada ´evento´. Uma coisa assim quase matemática".

 

O prefácio do livro é feito pelo próprio terapeuta de Adão, Sergio Zlotnic, que entra no clima da obra: "Ofuscar um livro com um prefácio fantástico: um milhão de anos no inferno!..." 

 

Além da compilação do que foi publicado no jornal paulistano, há ainda 15 tiras inéditas. A obra saiu pela Editora com 160 páginas e custa R$ 34,90.

 

O humor do cara é fino e enquanto eu estava produzindo esse texto, ainda achei isso aqui. Salvou o dia.

 

 



Escrito por giulianohash às 10h59
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AMY WINEHOUSE

 

Não é segredo que hoje em dia no mundo da música é raro aparecer um artista que realmente tenha talento. E também não é segredo o fato lamentável que, quando gênios aparecem, a galera fica mais preocupada se o peido deles fede ou cheira.

 

É o caso da Amy Winehouse. Puta mina talentosa, cantora de primeira que faz um som pra lá de bacana, apaixonada por um artista de segunda [que apresentou as drogas para Amy e está puxando uma cana danada por porte de crack], que gosta de desfrutar os prazeres da vida. Só isso. Não sei não, mas hoje penso que num futuro bem próximo a garota será elevada ao patamar das grandes cantoras. Tipo uma Janis Joplin, para fazer uma comparação mais próxima.

 

Gosto dela pela atitude e pela música. Afinal lançar um álbum como “Back to Black”, com faixas como Rehab, You Know I´m no Good e Just Friends, comprovar seu talento ao vivo em “Live at Paradiso” e ainda arrumar tempo para beber, usar drogas, sair da clínica com suspeita de enfisema pulmonar e acender um cigarro e curtir com a galera não é pra qualquer um. Sim, Amy Winehouse é punk.

 

Ouça ‘Back to Black” no último volume, fume um baseado, tome um doce, beba uma vodka ou simplesmente fume um cigarro. De preferência na companhia da pessoa por quem você está apaixonado. Te garanto duas coisas: 1) a “mania feia” da garota gostar de ficar alterada será apenas um detalhe de seu talento; 2) o resto dos seus dias serão bem mais prazerosos.



Escrito por giulianohash às 11h26
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BLACK SABBATH

Atenção Terráqueos!

 

 

Poucas vezes na vida eu dei importância para material pirata, e os motivos são vários, entre eles a péssima qualidade da gravação. Vale mais pela exclusividade e pelo registro mesmo. Tirando o piratão clássico do Ratos de Porão e Sepultura, [aquele mesmo da época do Cada dia mais sujo e agressivo e Schizophrenia], esse Ozzy meets the Priest fez descer as lágrimas.

 

Motivo: no dia 15 de novembro de 1992 em Costa Mesa, Los Angeles, Ronnie James Dio resolveu abandonar o Black Sabbath pouco antes do início de um show que seria realizado no Pacific Amphitheatre ao saber que Ozzy Osbourne participaria de uma jam com a banda. Por sorte, Rob Halford estava lá e encarou o desafio de assumir o posto de frontman do Black Sabbath na base do improviso, permitindo a reunião com Ozzy após vários anos. Esse registro histórico ficou gravado no bootleg Ozzy Meets The Priest.

 

Tente não se emocionar ao ouvir Rob Halford cantar Children of the Sea, Sympton of the Universe e Neon Knights. O Madman canta NIB, Black Sabbath, Fairies Wear Boots, Iron Man e Paranoid [essa com direito a uns claps da galera], além de fazer parceria com Halford em Sweet Leaf. E ainda tem a vantagem de contar com uma qualidade de som impecável para um bootleg. Dá até pra ouvir os gritos dos ‘révis’ se descabelando! Bem heavy mesmo. Imperdível!!!

 

Baixe no formato easyshare em: www.compartilhemp3.com

 

 



Escrito por giulianohash às 17h05
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DEMONIC

O Dr.Gori #7 ficou pronto hoje, e como não é todo mundo que tem a oportunidade de pegar ou receber uma cópia, pois são apenas 1000 exemplares, resolvi disponibilizar aqui algumas resenhas do melhor da seção DEMONIC. Todas as bandas possuem páginas no myspace e dá para ter uma idéia do som que fazem. As entrevistas com MOTHERFISH, DESASTRE e MACAKONGS 2099 você pode ler na íntegra em: www.myspace.com/doutorgori

 

IN BLEEDING Phobia  [One Voice/ Two Beers or not Two Beers]

Este trabalho do In Bleeding foi um cd que muita gente esperou ansiosa para ficar pronto. Penso que a ansiedade compensou a espera. “Phobia” é um trabalho maduro e resume os anos de experiência que a banda adquiriu em mais de 10 anos de estrada. Algum tempo antes do lançamento eu já havia escutado das faixas novas e fiquei surpreso com a qualidade que o In Bleeding estava alcançando e o direcionamento musical que a banda estava tomando. Inclusive esse direcionamento inovador sempre foi uma característica a banda, desde sua formação, por volta de 1997, surgida das cinzas do Leprosy e Obsessor. Essas duas bandas tocavam um som extremo, a primeira com uma característica mais blackmetal e a outra mais grindcore. Quando o vocalista Allan se juntou ao guitarrista Robson Binhão, ao baixista Fábio e ao baterista Ebola, o resultado foi um thrash atual, cheio de groove, com fortes influências de Pantera, Slayer e Metallica, fato que colocou o In Bleeding diretamente como uma das bandas mais importantes de sua geração na cena local. Após a mudança do Binhão para os EUA, toda essa bagagem foi sendo destilada, os caras foram amadurecendo as idéias, recebendo mais influências, cometendo erros e aprendendo com eles, passando por uma formação e outra, lançou um trabalho demo em 2003, e com a atual formação chegou a “Phobia”. É um disco que prova, ao lado do primeiro trabalho do Motherfish, e do novo do Desastre que, ultimamente de Goiânia tem saído alguns dos melhores lançamentos do rock independente nacional, com uma vantagem: os discos estão sendo produzidos aqui mesmo. Para Luis Maldonalle, o atual guitarrista, isso é motivo de orgulho. “Há alguns anos era inviável gravar algo de qualidade em Goiânia. As bandas iam para Brasília, porque era mais perto e São Paulo ficava inviável. Hoje muitas bandas têm orgulho de ver seu material produzido na cidade”, declarou recentemente em entrevista ao Correio de Uberlândia. O processo de gravação, no estúdio do próprio Maldonalle, foi agilizado pela releitura de músicas dos primeiros trabalhos demo “Extreme Groove Metal” [2003] e “Inferno” [2005]. Entre os destaques do disco estão a faixa-título, Bag of Bones, Possession [inspirado no filme O Exorcismo de Emily Rose] e Lifeless, essa com um refrão matador. O cd traz ainda a participação de Carlos Zema (Heaven’s Guardian) na faixa Sacrifice. A banda hoje é formada por Allan Paulino [vocal], Luis Maldonalle [guitarra/vocal], Nalratizul [baixo] e Bruno Souza [bateria], e se mantêm-se fiéis à velha escola do metal e do thrash, porém ainda estão presentes o groove do nu metal/rap, além de se arriscarem na utilização de elementos eletrônicos em algumas faixas. O guitarrista comenta ainda que já foram muitos criticados por tentarem inovar demais, mas que acabaram aprendendo com as críticas. Penso que nada melhor que suas próprias palavras para definir uma obra como o novo lançamento. “O grande mérito em Phobia é dar um frescor ao metal tradicional sem inventar demais. A nossa proposta é renovar sem perder a autenticidade. Por isso, o peso nas músicas muitas vezes deixa os elementos mais inusitados, quase imperceptíveis, no disco”.


 ATONEMENT  Devotion  [One Voice]

O Atonement [expiação, reparação], formado em 1999, tem como proposta é fazer um som espiritualizado baseado em experiências individuais, dentro de uma abordagem hardcore. Com dois trabalhos lançados anteriormente, “In search of real things” [EP, 2000] e “7 Devotional songs [demo, 2006], a banda chega agora ao seu trabalho full length: “Devotion”, hardcore cristão que distribui porrada para todos os lados. O conceito de expiação é o pano de fundo de todo o trabalho. No cristianismo, expiação pode significar castigo ou sofrimento de pena, como uma compensação do delito praticado. Outra corrente da mesma doutrina já enxerga como  a não aceitação dos sofrimentos, rebeldia, inconformação, revolta e desespero das situações que o indivíduo enfrenta. Seja como for, e guardadas as proporções, prefiro enxergar o conceito do “Devotion” como o “Vulgar Display of Power” do Pantera: direcionamento do ódio e rebeldia para algo produtivo. A comparação não é gratuita, pois o som dos caras em alguns momentos lembra bastante essa fase da banda texana,com temas cristãos e culpa, muita culpa, mola mestra do cristianismo. Então, as letras são carregadas de redenção [The truth again]; fé [Intense prayer]; fraqueza [In my most deep caves] e prepotência [Against myself]. É um belo cd, muito bem composto e produzido, o que faz do Atonement uma das melhores bandas do estilo e merecer o respeito que eles vem obtendo mundo afora. A banda é formada por Victor Vieira [vocal], Samuel Jr & Edgar Costa [guitarras], Gabriel Vicentini [bateria] e Tom Vicentini [baixo] e as palavras do próprio vocalista definem uma coisa importante: “música é o som, e qualquer um pode fazer, mas hardcore é um complexo de música, idéias e atitudes”.


 

OS MALTRAPILHOS  Desemprego-Desespero [independente]

Punk rock candango que prima pelo som vigoroso, honesto e empolgante, o cd “Desemprego-Deasespero” já nasceu clássico. São 14 músicas (Terra de ninguém, Quebrando regras, Hospital de Base, Punk rock nacional, Isto é Brasil, O voto é inútil, Os maltrapilhos, Desemprego-desespero, Mensagem ao dono do poder, Ode a um xarope, Refúgio, Chega de omissão, Na mira da ignorância e Horror apocalíptico), sendo que três são covers: Terra de Ninguém, da extinta banda candanga T.F.P., Refúgio da também extinta banda minera N.A.D.A e Horror Apocalíptico, da Besthoven. Mesclando influências clássicas do estilo como Inocentes, Cólera, Garotos podres, Restos de Nadae Vírus 27, Os Maltrapilhos vão passando muito bem o seu recado desde 1994, nutridos pela revolta e manifestados pelo ódio contra o atrofiamento da racionalidade humana produzida pelos sintomas enfermos da demência social. Fora de manter uma imagem de superiores ou donos da razão, o grupo preza pela liberdade de auto-governo, de uma organização mútua longe e livre de influência autoritária. O nome da banda também relata fatos bem propícios e suas letras expressam fatos e histórias do nosso cotidiano. “Apoiamos qualquer movimento seja ele; anarquista, pacifista e até mesmo terrorista, contando que haja coerência e sinceridade em seus atos. Repudiamos qualquer tipo de ignorância, seja ela política, militar, religiosa entre várias outras. Os Maltrapilhos vão ficando por aqui desejando à todos muita saúde e advertindo; seja educado, adquira conhecimentos, mantenha-se lúcido, assim será inteligente e também respeitado e não um humano atrofiado como um ‘vegetal de cérebro limitado’.” Um lenço por favor!


 

SODAMNED/DARK CELEBRATION  The damned celebration  - split [Face the Abyss Records]

O Brasil sempre foi uma potência no que diz respeito a som pesado, em particular o heavy metal. Basta observar a influência de bandas como Sepultura, Krisiun e Sarcófago mundo afora, só para citar as mais óbvias. Esta última com uma discografia obrigatória para qualquer fã de metal extremo. Se este é o seu caso, certamente você vai gostar de The damned celebration, split lançado pela Face the Abyss, selo brasileiro que conta com diversos materiais de bandas brasileiras e estrangeiras de metal extremo. No primeiro lançamento do selo as bandas são as sulistas Sodamned e Dark Celebration. Qualidade gráfica, acabamento e gravação em grande estilo, e no próprio material já fica explícito a intenção do trabalho: “o principal intuito de dar apoio aos grandes talentos do metal brasileiro que permanecem, por falta de oportunidade, no anonimato”. Grande iniciativa!  São 11 faixas em pouco mais de uma hora de som para ouvir fazendo mão de fogo com uma mão e chifrinho com a outra. As primeiras 5 faixas são da catarinense Sodamned, e o trabalho é intitulado “The Garret”. É a melhor e a mais extrema, com um som que remete ao já citado Sarcófago com uma influência de Iron Maiden nas partes mais lentas. Muito foda! Destaque para as faixas Dive in Nothing e Over the Meadow. O Sodamned ainda tem ainda a demo “On the gallows”, que está disponível no myspace da banda. Com os lançamentos anteriores “Damned be thy name” (2002) e “Indicium” (2005), os gaúchos do Dark Celebration apresentam agora "Steel Flagellum" e, se tem aço no nome, significa que é um metal extremo, mas épico, tanto no som quanto nas letras. As influências do catálogo da MetalBlade é forte e os fãs do estilo vão gostar. Os destaques são as faixas Reversed Creation e Prime Chaos. Vale a pena ouvir esse split e reconhecer que essas bandas são dois nomes proeminentes na cena black metal e que prometem em breve ultrapassar as fronteiras brasileiras.


 

JOHNNY SUXX & FUCKING BOYS Make up and dream  [Fósforo Records]

Uma verdade: poucas bandas goianienses representam o verdadeiro espírito rock’n’roll na proporção que é divulgada a respeito da cidade por aí afora. Fatores como a cidade estar localizada no centro do país e fazer um calor do caralho por aqui a maior parte do ano não combinam nada com a postura “ingleses tristes do cerrado” que grande parte das bandas locais insiste em adotar. O buraco aqui é mais embaixo e o lance aqui combina mais com cerveja gelada, festa e mulher bonita, e a trilha sonora é muito bem representada pelo Johnny Suxx & Fucking Boys, rock festeiro e inconseqüente até o osso que vem conquistando o público rocker local e de outras cidades também. Bebendo [com trocadilho, por favor] em fontes como Strokes, Backyard Babies e The Hellacopters, além de uma certa atitude punk/glam à la New York Dolls, a banda dá uma demonstração do seu bom humor logo no título do cd, “Make up and dream”, uma alusão ao primeiro trabalho dos chorões do Violins. Então, ergam suas canecas cheias ao som de um hard rock/punk rock cheio de bons riffs, cozinha competente e boas melodias na vocal urgente de João Lucas, com refrões pegajosos e backing vocals muito bem colocados. Destaques para Dirty love, Feel her flling [hear your song] e Back home.

 



Escrito por giulianohash às 09h13
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pt. II

 

SPUNKE Sentido contrário [Fósforo Records]

O Spunke segue a linha de bandas punk rock com vocal feminino no melhor estilo Toyshop/Party Up/Carbona, e que recentemente tomou força e se tornou um segmento sério e respeitado da cena independente brasileira. Se eu fosse dono de selo apostaria forte nessa vertente do punk rock, pois dia a dia surgem novos e melhores trabalhos, como é o caso de “Sentido Contrário”, primeiro trabalho do grupo. A receita letras engajadas + instrumental em cima +  o vocal doce de Bullas Attekita fazem deste trabalho uma dos melhores já lançados por aqui no estilo. As composições são de Mauro Ledo e Raphael Lacerda, respectivamente guitarra e baixo, que são acompanhados pela bateria ramônica de Maúricio [que também toca no Señores]. Versos como “Eu sou um simples brasileiro/não vou vender meu voto por dinheiro” [Simples brasileiro], “Pequenas igrejas, grandes negócios/agentes imobiliários do purgatório” [Pequenas igrejas grandes negócios], e “O erro é conseqüência dos seus atos/não morra pensando que é Deus” [Sentido contrário] dão idéia da seriedade e do engajamento da banda. São só 5 faixas, mas vale a pena! 


 

LSD  Caos contínuo  [Two Beers or Not Two Beers]

Mais uma banda punk feminina. Só que, ao invés de ter uns marmanjos em sua formação, essa banda foi formada por 4 garotas que ouviram a coletânea “Sub” por dias seguidos e resolveram fazer um som. O resultado é “Caos contínuo”, trabalho já gravado há algum tempo mas só lançado agora. As referências a RDP, Cólera e ao som/postura tosca dos primórdios do punk brasileiro são gritantes, o que não significa que não tenha qualidade. Pelo contrário! Se toda banda punk feminina tivesse em sua formação uma vocalista com a classe de Gisela, uma guitarrista como Samantha, um baixo tosco como o da Tyêssa e uma baterista com o talento da Tereza o mundo estaria salvo de certas coisas que você é obrigado a ouvir de vez em quando para agradar aquela sua namorada feminista. Os temas das letras também remetem aos da coletânea Sub. Caos contínuo, Obrigação é atraso, Paranóia coletiva (Caos 2), A voz do Brasil  e O livros dos mortos [um punk rock direto com direito a solo de bateria!] são alguns dos petardos que as meninas nos apresentam. Pra arrematar: num show com o atual Os Cabeloduro em Trindade(GO), a energia do LSD no palco superou em muito a da banda candanga para uma platéia de 2 mil presentes. Quer mais? É só ouvir.


 

AÇÃO DIRETA  Massacre humano  [Voice Music/Red Star]

Já que eu falei em Sub, a coletânea, junto com os discos Resistirei, do Ação Direta; Brasil, do RxDxP, e Tente mudar o amanhã, do Cólera são a base do meu gosto musical pelo punk/hardcore. RxDxP e Cólera, que eram considerados os maiores seguiram seus caminhos e hoje são o que são. Mas o Ação Direta sempre me chamou a atenção pela vanguarda provocada no hardcore brasileiro. A cada disco lançado a banda parece estar um passo à frente das outras. Foi assim com Resistirei, Baseado em fatos reais, Intervenção, sem contar também Entre a bênção e o caos, Revolta/repúdio/confronto/resistência e a demo Temos que agir (1988). Esse passo à frente me lembra quando as bandas thrash esperavam o Slayer lançar seus álbuns para ver qual seria o novo rumo que o estilo deveria seguir. Penso que com este Massacre Humano a história com o Ação Direta não vai ser diferente. Aliás, poucas vezes um título de disco soou tão ajustado à obra quanto esse. Gravado analogicamente, a produção ficou a cargo de Ciero (Krisiun/Subtera/Claustrofobia), o álbum apresenta nas suas 14 faixas numa fusão avassaladora de hardcore e metal, executada pelo quarteto com muito peso, agressividade e uma originalidade ímpar, que vem proporcionando à banda a conquista de vários fãs e admiradores pelos quatro cantos do planeta! A parte gráfica, construída a mão pelo artista e tatuador 1Berto, assim como toda a temática do álbum,  que é conceitual vêm carregada de inserções bíblicas, política, filosofia e questionamentos, apresentando pontos de vista pessimistas, mas reais e preocupantes em relação ao futuro da humanidade. O paradoxo foi criado em cima da idéia da ressurreição e recrucificação de Jesus Cristo em pleno século XXI, aqui representado pelo homem comum, vivendo tempos difíceis, numa era obscura, violenta e decadente, lutando contra o grande ciclo de destruição instintiva criado pelo homem para destruir o seu próprio semelhante. “Papo das arte” à parte, é de se imaginar o estrago que o hardcore clássico, blast beats, moshs e caídas infernais com influências massacrantes de Napalm Death das novas músicas, junto às antigas, estão provocando nos shows de comemoração dos 20 anos da banda. O melhor de tudo é que durante essas duas décadas o moral da banda só fez crescer sem precisar se render a modismos. Sim, o Ação Direta de 1998 e o mesmo Ação Direta de 2008.


 

ALTO TEOR DE REVOLTA Compartilhando a miséria... usufruindo o nada [One Voice]

“O Alto Teor de Revolta foi formado no final do ano de 2004 na periferia do Estado de São Paulo; no município de Ferraz de Vasconcelos que fica no lado leste do Estado. Atualmente nem todos os integrantes são de Ferraz de Vasconcelos. Temos um cd intitulado “Compartilhando a miséria... usufruindo o nada”, que foi gravado e lançado no ano de 2006. Escrevemos letras políticas retratando o nosso dia-a-dia, o dia-a-dia do povo pobre em geral; sempre expressando a nossa indignação em relação ao mundo em que vivemos. Em nossa opinião a cena hardcore não pode perder-se em meio ao conformismo. Obviamente, não somos ingênuos em acreditar que o hardcore vai mudar o mundo, apenas não compartilhamos a conveniência conformando-nos.” De cara, o release da banda já revela um fato: poucas bandas conseguem se expressar tão abertamente sobre sua atitude como o Alto Teor de Revolta conseguiu com este primeiro trabalho. A obra é um conjunto bem arquitetado que engloba excelente projeto gráfico, textos conscientes e uma massa sonora violentíssima, muito bem conduzida pela produção de Henrique Pucci. É feito para incomodar mesmo, e depois de ouvir o cd e ler os textos duvido que neguinho não vai repensar seu lugar na sociedade. Entre guitarras de timbres cortantes do industrial de Maurílio e Wilson e os vocais de Rômulo, Carlos e Rykardo, sustentados pela cozinha de Juninho [bateria] e Thiago [baixo], o caos sonoro produzido fala de apatia [Lágrimas], sangue inocente [Guerra], falta de caráter [Qual o sentido da vida?] e resistência [Conflito]. O encarte é dividido em capítulos e é importante fazer uma leitura. Indicado para fãs de hardcore ou qualquer som brutal, mas que tem muito a dizer.

 



Escrito por giulianohash às 09h08
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pt. III

 

DESASTRE  Procurando saída  [Two Beers or Not Two Beers]

Dos diversos significados da palavra evolução que eu procurei para definir este disco todas repetiram as palavras desenvolvimento e transformação. Acho que essas duas bastam para falar de “Procurando Saída”, melhor trabalho já lançado pelo Desastre, não deixando dúvidas de que a banda se tornou uma das melhores do estilo no Brasil em seus 10 anos de estrada. A introdução do cd prepara o ouvindo para o caos que seguirá durante as 16 faixas executadas por uma banda afiada como a faca de um açougueiro. Aliás, o clima é de açougue mesmo, e bateria, baixo, guitarra e vocais vão sendo desossados peça a peça na narrativa das letras de Wilton D, que dessa não canta, e sim afirma palavra por palavra do que é dito em suas composições, tendo como massa sonora bases e os solos criativos de Hassan e a cozinha técnica de Bibi e Danny, numa mescla de punk e metal oitentista que funcionam muito bem juntos em melodias devastadoras como Vá em frente, Bomba relógio [“o único sentido de suas vidas é caminhar para a morte”], O preço e Morte. O ponto alto são as faixas A ordem é o caos e Porcos sujos, expondo o espírito de inconformismo da banda. Tem ainda Revolver, O inferno não é um lugar ruim [“vivendo em um mundo tão fudido assim talvez o inferno não seja um lugar ruim”], Mundo de dor e Parte do jogo, que mostram muito bem a podridão do grande açougue em que o planeta se transformou. Há um certo clima O bom do Desastre é que não só a banda se propôs a uma transformação sonora que agrada bastante os ouvidos, mas também que temas e um som desses não induzem as pessoas apenas a pensar igual à banda, mas sim a enxergar a realidade com os próprios olhos: “compram sua vida, te pagam com migalhas...”. Discoteca básica.


 

LINHA DE FRENTE/DZSPERO Cuidando dos negócios - split [One Voice]

“Quem tem preço não tem valor”, disse certa vez Genival Oliveira Gonçalves, o GOG. Esse trabalho que traz as bandas Linha de Frente [DF] e Dzspero [ES] segue firme nessa filosofia. Segue firme também nos princípios do NYHC, que formaram seus princípios a partir da escola da máfia siciliana: família, respeito, esperteza, discrição, disciplina, honra, fidelidade, verdade e honestidade. As duas bandas tem um som parecido, seguindo a linha que fez a fama de gente como Biohazard, Madball, RATM e Sick of It All na década de 1990, misturando muito bem rap e hardcore sem frescuras, além de demonstrar engajamento e disciplina em relação a seus valores. O Linha de Frente apresenta um estilo mais cadenciado, com vocais de Manoel Morais e Thyago Lima muito bem colocados em cima da base sonora bastante pesada e ritmada. Letras como Juiz [“Só eu sei o quanto eu lutei pra manter presos os demônios da vingança, mas a fúria da justiça está prestes a te destruir”] e Nunca [“Saia do meu caminho, suma da minha frente. Você sonha em me ver falhando, mas é lago que nunca verá em vida”] são apenas algumas amostras do ódio presente em todo o cd. Completam o Linha de Frente Filipe Braga e Robson Abreu [guitarras], Daniel Gonsalves [com ‘s’ mesmo, baixo] e Frederico Galeno [bateria]. O Dzspero já busca uma linha mais hardcore e é mais pesado. Os vocais de MC Ronny lembras os de Zach de La Rocha, nos momentos mais pesados e da velozes das músicas. Velocidade e peso completados por Tadaz [guitarra], Hudz [baixo] e Lord Celo [bateria] em faixas como Alimentando os cães e Orgulho-família-confiança, que cultivam os mesmos valores do LxDxF. Ao final tem um rap maneiríssimo com uma boa levada no melhor estilo rap do DF que resume bem o espírito de todo o trabalho.  Em um momento a letra diz “um ensina o outro e assim cresce todo mundo”. É verdade.


 

LESTO  Para todos aqueles [One Voice/TwoBeers]

Costumeiramente fico com um pé atrás quando vou resenhar um cd em que a qualidade gráfica do material tem o nível que este novo trabalho do Lesto. O motivo: muita gente costuma compensar a falta de personalidade musical com o capricho do encarte, capa, release enfim, todas essas coisas que acompanham a música de uma banda. Quando coloquei o cd para tocar percebi o equívoco do meu pré-julgamento. Nisso constatei duas coisas: 1) a qualidade gráfica dos lançamentos da One Voice tem seguido mesmo esse padrão caprichado; 2) o Lesto é hoje uma das melhores bandas que se propõem a fazer um som moderno dentro do que é conhecido nos padrões brasileiros do estilo. Os quatro integrantes, Bruno (vocal), Fredvan (batreia), Eduardo (guitarra) e Rafael (baixo), realizaram um trabalho que aponta para o futuro e certamente já devem estar influenciando alguma moçada por aí. A vanguarda fica mais perceptível ao passo que vai ficando mais claro o clima industrial/gore presente nas músicas. A coesão musical também impressiona, e a presença de um produtor que explore esse caminho industrial pode resultar num próximo trabalho arrasador. São guitarras dilacerantes e um vocal gutural que expressam toda a revolta dos caras em músicas como Dívida, Certezas, Ilusão e Obrigado, hardcore com partes cadenciadas e letras muito bem construídas, fato que está se tornando comum no trabalho de várias bandas underground. É uma banda que já prometia muito desde o primeiro, e mostra com esse “Para todos aqueles” que não desviou do seu caminho.

 


 

DOR DE OUVIDO   O inferno é só um lugar [NöiseMesmo Records]

Há um bom tempo na estrada, o DxDxOx faz um hardcore com influências grind que foi sendo lapidado durante 10 anos de existência na cidade de Campo Grande/MS. Os anos de estrada e as diversas formações foram moldando a banda a sempre se preocupar em “despertar uma visão crítica, ainda que negativa, sobre mundo e a sociedade”, nas palavras do vocalista Enrique, que é acompanhado por Diego [bateria], Tomaz [guitarra/vocal] e Adaulba [baixo],na hora de promover a pancadaria sonora. Após vários lançamentos,que incluem demo-tapes, splits, 4ways e VHS, grande parte composta por material ao vivo, eles chegam a “O inferno é só um lugar”. São 12 sons da mais pura crítica dura baseada em reflexões dos membros da banda, em seu modo próprio de ver a estrutura política e social. Então ouça e reflita canções Por que, Quanto mais rico mais idiota, Perturbação, Pré-conceito, Eu não sou corrupto e Salvaremos a América e o mundo. Trabalho bem feito e produzido, com capinha e projeto gráfico bacana, além de comentários das letras no encarte. Com a experiência que a banda já tem e essa primeira demo oficial, pode esperar pelo primeiro trabalho profissional do Dor de Ouvido que certamente vem coisa boa por aí. Ainda mais se considerarmos as palavras do vocalista Enrique, numa entrevista que cedeu ao ThundergodZine. Diz o seguinte: “o rock me proporcionou um entendimento de liberdade muito grande, pra fazer o que quero e quando eu quiser, a partir do momento em que para estar no rock eu tenha que seguir alguma regra ou conduta, to fora. Sejam apenas vocês mesmos, isso é o que importa no final.”

 



Escrito por giulianohash às 09h06
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THE SLIP

Reznor e cia não param e estão produzindo música a todo vapor. Mal os caras acabaram de divulgar o disco Ghosts I-IV, o NIN já lançou outro disco, The Slip. Esse novo trabalho deixa de lado a linha mais experimetal/planetária que dominou Year Zero e tambémo experimentalismo do disco anterior. Na verdade é uma volta a Fragile e With Teeth. Os caras disponibilizam de novo o disco inteiro para galera baixar. Sò que dessa vez você baixa o disco todo de graça! Para isso, basta clicar aqui: http://dl.nin.com/theslip/confirmation?token=Ni2a4fTv . A empresários da indústria musical que, diga-se de passagem,não entendem de música, devem estar carregando suas armas, pois cada vez mais artistas têm seguido essa atitude, a de distribuir sua música diretamente ao público, sem intermediários e sem encarecer o processo. Entre eles Radiohead, Eagles e Madonna. Essa sim, vai quebrar as pernas das majors. Quanto ao trabalho novo do NIN, destaque para as faixas, 1,000,000, Letting You, Discipline e Echoplex que logo serão hits nas pistas de dança mundo afora. Você pode baixar os remixes também em http://remix.nin.com.



Escrito por giulianohash às 13h27
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